sexta-feira, 24 de maio de 2013

A coisificação das pessoas e das relações humanas

Movimento feminista tem papel importante para mobilizar críticas e ações sobre a postura do patriarcado em relação ao tráfico e prostituição de mulheres. Vulnerabilidade econômica do sexo feminino está no cerne do tráfico de gênero, analisa Nalu Faria
 
Por: Ricardo Machado em IHU on-line

A sociedade de mercado rouba sonhos e cria ilusões. “Constrói essa ideia que terá acesso a uma experiência a partir do que consome. O consumo está o tempo todo associado à felicidade, ou que a pessoa é aquilo que consome. Ter passa a ser algo muito importante. Isso como parte de uma coisificação das pessoas e das relações humanas”, considera Nalu Faria, psicóloga e coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista – SOF, www.sof.org.br, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. Na avaliação de Nalu, a estrutura social que coloca as mulheres como principais vítimas do tráfico humano está relacionada a “vulnerabilidade econômica das mulheres, depois a identidade e subjetividade feminina, como românticas, idealistas, voltadas para acreditar em sonhos como dos príncipes encantados, hoje travestidos de ofertas milagrosas de trabalho, ou de princesas em pele de modelos.

Nalu Faria é psicóloga e especialista em Psicodrama Pedagógico pelo Grupo de Estudos e Trabalhos Psicodrámaticos, e especialista em Psicologia Institucional pela Sedes Sapientiae. Atua nos movimentos que lutam pelos direitos das mulheres no Brasil, tais como a violência doméstica, equiparação salarial, luta contra o machismo e o direito ao aborto. É autora, entre outros artigos, de O feminimismo latino-americano e caribenho: perspectivas diante do neoliberalismo (São Paulo: Livre Mercado para o Feminismo, 2005). No site da SOF, entidade que coordena, há diversos cadernos e artigos sobre a questão da luta das mulheres para download .

Confira a entrevista.

MAPA DA VIOLÊNCIA 2013 - Julio Jacobo Waiselfisz

Charge - Jovens negros maiores vítimas da violência policial diz anistia - Latuff


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Revista O Comuneiro, nº 16

Em Comum

Em Wall Street as expectativas crescem. Há fusões de grandes conglomerados e mais despedimentos massivos em perspectiva. As armadilhas da liquidez. Grandes aluviões de dinheiro – fictício, esbulhado, prometido - cachoam enlouquecidos, como manadas de bisontes em pânico. Flexibilidade, polivalência, just in time. Os ritmos aceleram para os sobreviventes da empregabilidade. Os nervos crispam-se no esforço. A TV vomita as suas obscenidades quotidianas. A terra está seca. Os peitos das mães acusam silenciosamente. Torrentes de humanidade “excedentária” afluem continuamente às megapólis de lata. As chuvas são ácidas. O barril do ‘brent’ está cotado em alta. Erguem-se novamente as cabeleiras rubras da guerra. De todos os cantos do mundo se levanta um mesmo clamor de revolta.

‘O Comuneiro’ pretende ser, dentro do mundo da língua portuguesa, um pequeno laboratório de pesquisa na busca de um propósito articulado nesta revolta. Para isso, serve-se dos instrumentos da crítica ao universo do capital forjados há cento e cinquenta anos e temperados desde então em milhões de lutas, grandes e pequenas, certas e equivocadas. Trabalho necessário, mais-valia, D-M-D’. Como do sangue, suor e fezes das grandes multidões laboriosas se foram amassando as riquezas acumuladas nas mãos dos poucos, reproduzindo-se o ciclo incessantemente com uma regularidade cega e brutal. Até que a rotativa da valorização entra em panne mortal. O velho red doctor, nas insónias do Soho, viu tão bem e tão longe que só hoje começamos a compreendê-lo verdadeiramente. Ou só hoje as duras esquinas do real parecem obstinar-se a preencher e cumprir fielmente os seus conceitos.

Revista O comuneiro, n.15


O número 15 de O Comuneiro abre com o texto de Tom Thomas, que lê o estrangulamento do processo de valorização do capital a que assistimos, com toda a limpidez da crítica marxista, colocando depois a alternativa histórica que temos perante nós, em toda a sua brutal simplicidade. Philip Ferguson, desde os antípodas neozelandeses, interroga-se sobre a promessa falhada de uma sociedade de lazer, antevista por Keynes em 1930, mas que o capitalismo foi incapaz de cumprir, dela se afastando agora mesmo cada vez mais.

Ainda que longe do Eliseu, naturalmente, o socialismo está de volta em França, como projeto político concreto e alternativa social em debate. Jacques Généreux é um dos seus pensadores mais destacados e também ele está de volta a ‘O Comuneiro’, com a introdução ao seu último livro, onde o leitor encontrará muita matéria a suscitar reflexão empenhada, corpo a corpo. Outro regresso de peso às nossas páginas é o de Bernard Stiegler. Herdeiro de uma linhagem ilustre de pensamento social crítico gaulês, com um gosto artesanal refinado pela criação de novos conceitos, Stiegler é um grande escritor e um perscrutador muito agudo das entranhas mais íntimas do nosso tempo.

Charge - Luta contra o machismo - Latuff


terça-feira, 21 de maio de 2013

10 livros para conhecer o Brasil

Por Antônio Cândido.

Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese. Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.

Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

SINDUFOPA - NOTA DE REPÚDIO À REITORIA DA UFOPA

A SINDUFOPA – Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Oeste do Pará –, em apoio ao movimento estudantil desta Instituição Federal de Ensino, repudia as declarações do Reitor Pro Tempore da UFOPA, Dr. José Seixas Lourenço, contidas na “Nota de esclarecimento à comunidade acadêmica e à sociedade” e vem a público manifestar que:

1) Desde a criação da UFOPA a Reitoria Pro Tempore tem se utilizado da tática da criminalização do movimento estudantil, como estratégia política para desqualificar a categoria e deslegitimar sua pauta de reivindicação. Foi assim em 2011 quando, após a manifestação estudantil no evento da Aula Magna, a Reitoria Pro Tempore instaurou processos administrativos contra dezenas de estudantes, caracterizados como “grupo de agressores” (Portaria 1.013, de 19 de março de 2011);

2) Neste primeiro semestre de 2013, momento em que o movimento estudantil encontra-se em uma condição de mobilização pela democratização da UFOPA, novamente a Reitoria Pro Tempore lança mão do discurso e da prática da criminalização. O texto escrito pelo Reitor Pro Tempore José Seixas Lourenço intitulado “Nota de esclarecimento à comunidade acadêmica e à sociedade”, de 23 de abril de 2013, mantém a caracterização pejorativa de outrora e os estudantes que realizaram a manifestação no Hotel Boulevard foram tomados como “piqueteiros” e “invasores”. Em determinado trecho da nota, o Reitor Pro Tempore, inclusive, coloca em dúvida a condição de estudante universitário dos manifestantes: “algumas pessoas, que se identificam como estudantes”.

3) Visivelmente, pelo viés da criminalização do movimento, articulada como instrumento de desmobilização e propagação de distorções, o intento da Reitoria Pro Tempore é propagar a ideia de que se trata de “manifestações isoladas”, construídas por um “grupo” reduzido de estudantes, para novamente fazer a comunidade acadêmica e a sociedade em geral acreditarem que a instituição não tem problemas.

Nesse sentido, não temos dúvida de que essas ações têm como principal objetivo intimidar o movimento estudantil. Não aceitaremos nenhuma forma de repressão a qualquer estudante e a qualquer militante que reivindique uma Educação Superior de qualidade! Por isso, por meio desta nota, a SINDUFOPA se solidariza ao movimento estudantil da UFOPA em luta constante e crescente por assistência estudantil, infra-estrutura e, sobretudo, pela democratização da nossa universidade.

Lutar por Democracia e diálogo não é crime! Desse modo, esta Seção Sindical se posiciona contrária a qualquer forma de criminalização e convoca os demais alunos e professores a seguirem na luta por uma Universidade de Verdade.

Santarém, 10 de maio de 2013
SINDUFOPA
Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Oeste do Pará – ANDES-SN
CNPJ 16.957.095/0001-76


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Estudar Uma Matéria por Vez ou Todas ao Mesmo Tempo?


É melhor estudar uma matéria de cada vez, ou todas as matérias ao mesmo tempo? Esta pergunta é recorrente para quem está começando a estudar para concursos públicos e exames, e mesmo para quem já está estudando, que por vezes se questiona sobre estar ou não no caminho correto.

O tema já foi tratado aqui no Blog (http://www.concursospublicos.pro.br) em outras ocasiões e de forma indireta. Mas diante dos vários questionamentos que tenho recebido, resolvi escrever este texto específico.

Revista Espaço Acadêmico, nº 144, maio de 2013

v. 13, n. 144 (2013)

Sumário

ESPECIAL - Søren Kierkegaard

Kierkegaard e a existência possível PDF
Roberto S. Kahlmeyer-Mertens 01-05
Breves considerações sobre o "Conceito de ironia em Soren Kierkegaard". PDF
Jacqueline Oliveira Leão 06-11
O paradoxo existencial da experiência do pecado em Kierkegaard PDF
Renato Nunes Bittencourt 12-17

administração

Reflexões sobre a carreira acadêmica do jovem professor em Administração PDF
André Luis Silva 18-25

ciência política

Maquiavel e a fundação do Estado Moderno PDF
José Cleyton Lopes 26-35

ciências sociais

Intelectuais, cultura política e ditadura no Brasil PDF
Michel Goulart da Silva 36-43

cultura & sociedade

Made in America: The Sopranos PDF
Terry Caesar 44-48
Feito nos EUA: Os Sopranos PDF
Terry Caesar 49-53

direito

A dignidade humana como afirmação histórica PDF
Afonso Soares Oliveira Sobrinho 54-62
Patrimônio cultural edificado: o caso da basílica de Santa Sofia PDF
Giovanna Paola Primor Ribas 63-72

educação & trabalho

Educação, trabalho e proletarização: o professor enquanto trabalhador docente PDF
Cássio Diniz Hiro 73-80

filosofia

Filosofia e nascimento PDF
José João Neves Barbosa Vicente 81-86

história

A instigante e complexa história da leitura: apontamentos teóricos e metodológicos PDF
André Dioney Fonseca 87-94

resenhas & livros

Pilulas de História...da Matemática PDF
Enio Freire De Paula 95-97
Para ler e compreender os clássicos da literatura PDF
Antonio Ozaí da Silva 98-101
A história das eleições brasileiras: do império à festa da democracia PDF
Tiago Valenciano 102-104
CARVALHO, E. J. G. . Políticas Públicas e Gestão da Educação no Brasil. 1. ed. Maringá: EDUEM, 2012. 317p PDF
REA Editor 105


ISSN: 1519-6186

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