Ciclo básico: a fábrica de diplomas

*Dennis Scherch

A grande promessa Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), nascida no seio da Amazônia, que deveria ser um instrumento para o desenvolvimento da região esta na iminência de se tornar uma mutação de políticas populistas com fabrica de diplomas.

Para entendermos como surgiu a brilhante idéia de criar uma universidade em ciclo de formação, precisamos analisar todo o contexto no qual ela foi formada. Em 2007, o governo lula editou o Decreto 6.096/2007, no qual foi criado o chamado “PAC de educação”, seguindo recomendações do Banco Mundial de: dar um ensino pobre aos pobres. Para garantir a emissão de diplomas foram elaboradas duas linhas a serem seguidas: a primeira de expansão do ensino a distancia, e a segunda da criação de graduações minimalistas e seu desdobramento em ciclos (no qual estamos prestes a ser incluídos), em nenhum desses modelos propostos pelo MEC a qualidade do ensino foi priorizada, o mais importante é a quantidade de alunos. “O programa prevê, em linhas gerais, a quase duplicação do número de estudantes de graduação, mas de uma graduação minimalista, própria do capitalismo dependente. Isso sem recursos relevantes, sem garantir a assistência estudantil e a garantia de recursos estatais para a manutenção e desenvolvimento da ampliação das IFES.” [1]

Durante os ciclos ao qual o aluno deve se submeter ocorrerá cortes, mas o aluno sairá da universidade com um diploma de ensino superior em conhecimentos interdisciplinares (ainda não foi esclarecido qual a utilidade desse diploma), esses alunos cortados formarão um vasto mercado a ser disputado pelas Universidades particulares, garantindo assim a lucratividades dos partidários do governo (os tubarões da educação, donos de universidades particulares que compõe expressiva bancada no congresso).

A criação dessas graduações curtas são um meio de garantir que os países periféricos e semi-periféricos não pensem, não produzam conhecimento, não transmita esse conhecimento a comunidades, tornando-se sempre fadados a estarem à margem do conhecimento.

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[1] LEHER, ROBERTO. Desenvolvimento da educação de Lula é por decreto. Jornal da AdUFRJ, maio de 2007.
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Edu
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010 12:54:00 BRT delete

É incrível ver como as pessoas se deixam levar por um plano de ensino completamente ridículo, que é o que vem a ser esse plano que envolve os ciclos básicos
Uma forma de ensino onde as pessoas disputam sempre uma vaga, onde os alunos não têm a oportunidade de socializar e crescer uns com os outros, de aprimorar suas idéias na coletividade, tendo eles que se fecharem em seus muros para não socializar um conhecimento com aquele que pode tirar a sua vaga.
Um programa que é classificado como novo, mas que tem suas origens na época da ditadura, como disse o professor Leher, que vem sendo colocado a seu favor a interdisciplinariedade, como se essa fosse a única forma possível de se chegar a interdisciplinariedade, colocando os alunos na hipótese de não concluírem seus cursos e dando um diplomas para eles que de nada serve, afinal de contas, o que eu, por exemplo vou fazer com um diploma do ciclo básico? vou poder dar aula? Acho que não, porque no ciclo básico não tem tempo suficiente para aprender coisas realmente relevantes a uma aula, afinal de contas são apenas seis meses de ciclo, se não me falha a memória, e se for possível dar aulas, veja só o que vai acontecer, uma pessoa preparada em seis meses para dar uma aula.Qual tipo de educação queremos com um país que caminha por esses rumos e desrespeita sua população com um plano desvinculado de um aprendizado sério e que pode levar a nação ao desenvolvimento sonhado por tantas gerações?
Um plano unicamente voltado a preencher números que farão bem ao governo, quando ele quiser fazer uma propaganda eleitoral e disser que mais pessoas estão com um diploma de nível superior, mais pessoas estão ingressando nas universidades, mas sem falar as condições pelas quais as pessoas estão passando para terem um diploma medilcre.

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Edu
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010 13:00:00 BRT delete

retificando uma parte da fala.

qual tipo de educação queremos com um país que caminha por esses rumos e desrespeita sua população com um plano desvinculado de um aprendizado sério e que não pode levar a nação ao desenvolvimento sonhado por tantas gerações?

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Jon
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010 13:25:00 BRT delete

A proposta da "interdisciplinariedade" que na verdade é uma indisciplinariedade, a proposta de um "novo" que na verdade é um velho. A propaganda de de uma maior abertura pra comunidade que na realidade se exemplifica pelo AI-5 baixado pela Segurança do Campus que afasta a comunidade.

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