domingo, 23 de maio de 2010

HOBBES E O GOVERNO LULA


João Ricardo Silva*

Thomas Hobbes (1588-1679)Para começo de conversa temos que saber que Thomas Hobbes foi um contratualista, dessa observação surge algumas questões: ainda é válido falarmos de contrato? Será que o assinamos todos os dias ou na prática somos coagidos a nos manter no sistema? Em minha opinião a ideia de contrato já não é tão válida, pois na realidade as condições materiais, o desenvolvimento do homem no mundo, convergem para que ele forme a sociedade. Na prática o homem necessita manter uma unidade, não a maneira de um contrato, mas uma unidade que se forma a partir das condições materiais e então homens nas suas práticas vão agir na natureza, ou seja, ambos se moldam de maneira dialética. Não é o homem, a priori, de forma racional que cria um acordo de vontades, tão específico quanto um contrato, formando a sociedade. É claro que o homem age nela tentando modificá-la, contudo não pode fugir essencialmente das condições materiais, ou seja, não é o pensamento que cria a sociedade, mas ele também age sobre ela. Dizer que há um contrato seria dizer que temos a chance de renunciá-lo, de algum modo, porém a prática diária nos mostra a dificuldade ou até mesmo a inviabilidade ou impossibilidade de um rompimento, sendo poucas as alternativas de sair dele (se por um acaso é possível) ou de mudá-lo (o que não é de modo algum fácil). E apesar do Estado representar a todos e há uma concordância e mesmo uma cobrança nesse sentido, ele acaba se transformando em algo “sobrenatural” que paira acima da sociedade, talvez como uma tentativa de se manter, mas que acaba desvirtuando a sua função de representar a sociedade. Vemos mesmo que o bem de todos – algo que legitima a ordem vigente - tende efetivamente a mostrar-se como o bem dos detentores reais do poder e não da maioria. O Estado acaba por parecer estar longe das pessoas no seu dia-a-dia, pois não conseguimos estar participando das decisões que podem afetar nossa vida decisivamente. Para fechar essa ideia é importante fazer uma pergunta que aguce a curiosidade: você pactua todo dia com o Estado ou esse Estado ainda não te disse que vocês têm outras escolhas?

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