Avaliação Sobre o Congresso Nacional de Entidades de Base (CONEB)


Edu
Agora, em Janeiro, ocorreu o Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB), que é o espaço criado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) para decidir as diretrizes a serem seguidas pela entidade, assuntos muito importantes para o Movimento Estudantil devem ser tratados nesse espaço, como os que foram pautados como principais pelas correntes que participaram do encontro, 10% do PIB e 50% do fundo social do pré sal para a educação. A UNE sendo a entidade maior dos estudantes tem como principal função criticar de forma articulada qualquer ataque aos estudantes, qualquer falta de investimentos na área da educação, assim como estabelecer críticas às medidas do governo que ao entender do Movimento Estudantil não estejam de acordo com o que é melhor para a sociedade, como a questão da construção do complexo de hidrelétricas que são previstas para o Brasil que são colocadas por uma necessidade de maior produção de energia, mas que se simplesmente repotencializassem as hidrelétricas já existentes seria muito mais em conta, atingindo uma maior produção de energia também.
Nesse CONEB foi visível o fato de que a majoritária da UNE, ou seja, os setores que hoje se encontram como maioria na instituição levam com descaso essa direção, observamos que não levam a sério espaços de discussões, chegando a criar até mesmo um “bloquinho de carnaval” em momentos onde estavam ocorrendo discussões, quando observamos que muitas mesas de debates ocorriam nos mesmos horários, impossibilitando os participantes do congresso de participar de algumas mesas importantes, vendo que dentro dessas mesas de debates pouco ocorreu a polarização de idéias, ou seja, o debate almejado, com exceção de uma mesa, a que falava sobre reforma política, mas nas outras se observou apenas uma palestra, apenas um repasse de informações, sem que fosse possível ser estabelecido o contra ponto, que é o que gera o debate, debate esse que gera uma solução provavelmente mais qualificada a temas que são de extrema importância.
Outro ponto muito interessante a se tocar está no fato de a UNE colocar próximo ao CONEB a Bienal, mudando o foco do espaço de discussões políticas para espaço de festas, o que também se vê quando foi descoberto que a UNE primeiro confirmou os eventos e participantes da Bienal, e depois os participantes das mesas de debates, o que é um absurdo, afinal de contas nós vamos ao CONEB para estabelecer discussões de suma importância, não para festas, e o mínimo que se espera de uma instituição com tamanha importância para o movimento estudantil é respeito e seriedade nesses espaços, respeito para com aqueles que ela representa, respeito com relação às discussões que devem se estabelecer. Nesse CONEB, qual foi o espaço dado para que os estudantes apresentassem suas opiniões, suas propostas, suas idéias? Esse espaço seria no que se chama GD (grupo de discussão), mas curiosamente esse espaço foi cancelado, o estudante não teve momento dentro do congresso para estabelecer discussões entre si, coube ao estudante apenas se mostrar, se fazer ouvir em pequenos espaços que lhe eram concedidos nas mesas de debates, sobre um tema limitado, com uma fala limitada.
É imprescindível que a UNE esteja de acordo com os estudantes, que a mesma fale aquilo que o estudante fala, que ela tome atitudes conforme o estudante, mas hoje vemos uma instituição que não se encontra em harmonia com a sua base,vejamos o que a UNE faz com relação ao REUNI, que traz consigo um mascarado sistema que serve apenas para aumentar o número de universitários mas piorando a qualidade de ensino, já que a proporção professor aluno será quase que dobrada, criando um sistema de ciclos onde os alunos terão de fazer outras provas dentro da universidade para que talvez cheguem aos seus cursos, aumentando a concorrência e individualidade dentro da universidade, concorrência essa que há anos é combatida pelo movimento estudantil com as lutas contra o vestibular, falando que todos têm o direito de chegar ao ensino superior, o que a UNE fala com relação aos investimentos no PROUNI que repassa dinheiro que deveria ser investido nas universidade públicas para investir nas particulares, quando já está colocado que para manter um estudante na faculdade privada com o dinheiro do PROUNI poderiam ser criadas com certeza mais de duas vagas na universidade pública? E isso só falando nesses dois pontos.
A UNE não fala nada, a UNE já não tenta mais se envolver nesses espaços de discussões que afrontariam um governo que é intimamente ligado à diretoria da instituição. Não é essa UNE que o movimento estudantil merece e não se pode abaixar a cabeça para isso, devemos lutar para que os que fazem desse importante instrumento de luta essa enorme brincadeira saiam da direção, para que os estudantes de fato tomem as rédeas e se façam ouvir pelo governo de forma expressiva, aproveitar a força da união nacional dos estudantes para organizar de fato o movimento estudantil. Tomemos para nós esse dever de melhorar as condições dessa nossa ferramenta de luta, de modificar essa realidade para dias melhores, pois a UNE é um importante instrumento nessa construção.
Comentários
1 Comentários

1 comentários :

Write comentários

Imprimir ou salvar em pdf

Leia Também