Cientistas reagem à flexibilização do Código Florestal

Por Luana Lourenço , da Agência Brasil 

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) preparam uma reação aos argumentos ruralistas para a aprovação das mudanças no Código Florestal propostas pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

As entidades divulgaram na última semana um resumo executivo de um estudo que deve provar cientificamente que as flexibilizações previstas no relatório de Rebelo comprometem o futuro das florestas do país.  O texto foi reproduzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

Entre outros pontos, os cientistas discordam da redução da área de preservação permanente (APP) na margem de rios, da possibilidade de regularizar plantios em topos de morros e da recomposição de áreas de reserva legal com espécies exóticas.

No estudo, que deve ser divulgado na íntegra nas próximas semanas, os cientistas argumentarão que a área utilizada pela agropecuária no país pode ter a produtividade maximizada sem necessidade de novos desmatamentos, com investimentos em pesquisa e tecnologias.  E que é preciso compensar as perdas ambientais provocadas pelo histórico de produção insustentável.

“O contraponto do sucesso econômico da agricultura tropical se manifesta no aumento das pressões sobre o meio ambiente, com agravamento de processos erosivos, perda de biodiversidade, contaminação ambiental e desequilíbrios sociais.  Fica evidente que há necessidade de medidas urgentes dos tomadores de decisão para se reverter o atual estágio de degradação ambiental provocada pela agropecuária brasileira”, diz o sumário executivo.

Com o documento, a SBPC e a ABC pretendem ampliar a discussão sobre as mudanças no Código Florestal e protelar a votação do texto de Rebelo.  O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) havia anunciado a votação para a primeira quinzena de março.  No entanto, decidiu criar um grupo com representantes das bancadas ruralista e ambientalista para discutir o tema, sinal de que a votação deve ser adiada.

Nos últimos dias, os ruralistas têm aumentado a pressão para tentar votar o relatório de Rebelo ainda em março.  O texto foi aprovado em uma comissão especial em julho do ano passado e está pronto para ir a plenário.

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), disse que há risco de inflação no preço dos alimentos se houver mudanças na lei florestal.  Segundo a CNA, se não houver flexibilização no Código Florestal, os agricultores com irregularidades ambientais não terão acesso a crédito e a produção vai diminuir.

Edição: Rivadavia Severo

(Envolverde/Agência Brasil)
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Edu
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 17:25:00 BRT delete

É um absurdo pensar nessa flexibilização do código florestal quando nós vemos que a as florestas já são extremamente devastadas, que estão tentando construir uma hidrelétrica desnecessária e que só trará destruição, quando pensamos na vida animal que se perde nesse processo de desmatamento, mas as pessoas querem sempre mais, as pessoas não se contentam com pouco.
O Brasil é um grande exportador de alimentos, se os preços aqui não reduzem é por consequência de que o país não tem interesse em abastecer o mercado nacional, mas se interessa sim em exportar, é por isso que os preços não diminuem aqui, apesar da imensidão de terras que são destinadas à produção de gêneros alimentícios.
Uma boa solução é a de maximizar a produção nas áreas que já se destinam a essa produção, mas as pessoas não querem saber disso, elas querem ir para outros terrenos, desmatar mais, vender madeira, lucrar o máximo possível em áreas hoje teoricamente intocáveis, porque pra algum lugar vai a riqueza que hoje existe nesse lugar que eles pretendem permitir o desmatamento, só fica uma reflexão: pro bolso de quem vai isso?

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