A luta da irmã Dorothy continua

Local onde a irmã Dorothy foi assassinada, na vicinal 1, próximo ao lote 55 do PDS Esperança, em 12 de fevereiro de 2005.



No dia 12 de fevereiro de 2011 foi realizada uma grande homenagem à irmã Dorothy, em Anapu, o aniversário de seis anos de morte da missionária chama muita atenção para a discussão sobre meio ambiente, sobre os projetos de desenvolvimento sustentável (PDS). O PDS é um projeto que visa beneficiar famílias camponesas e proteger a floresta, criar áreas de desenvolvimento sustentável, mas vemos em Anapu o que acontece em muitos dos outros lugares onde são implantados projetos para preservar a natureza, beneficiar camponeses, uma terra para se desenvolver de forma harmônica com a natureza.

Sempre houve uma grande resistência à implantação desse projeto em Anapu, aqueles que são proprietários de grandes terras vão contra esse projeto, vendo claro, nessas terras, a possibilidade da extração de madeira, a formação de pastos, o que vai contra o que é proposto pelo PDS, até porque esse projeto visa beneficiar os que não possuem terras, não dar terras a quem já tem “lotes e lotes de terras”.

Após a morte da missionária Dorothy Stang, o PDS esperança tomou grande força, até conseguindo ampliar a sua área consideravelmente, mas hoje, ao ver a situação em que se encontram alguns dos trabalhadores que lutam pelo beneficiamento dos pequenos proprietários, lutam pela preservação da natureza, vemos que nada do que o governo deveria fazer por essas pessoas de fato é feito, pois as madeireiras tentam constantemente entrar nesse território, grandes latifundiários também, e para isso, eles fazem uso de vários artifícios, desde denegrir a imagem das lideranças que comandam esse movimento pró natureza até ameaças de morte.

Hoje, em Anapu, alguns camponeses se encontram em um acampamento na estrada que liga a cidadezinha ao PDS, vigiando para que caminhões não passem por ali roubando madeira, fazendo um protesto contra o Estado, que não fiscaliza essa extração ilegal de madeira, lutando contra o processo de grilagem que parece ocorrer também naquela área. Nesse final de semana, onde várias caravanas se reuniram para homenagear a missionária Dorothy, e também para reforçar a luta contra as injustiças que ocorrem hoje no campo, mostraram para nós o quanto de injustiça se dá naquela região, injustiça essa que como foi dito não se restringe àquela região, mas é um resumo do que acontece em várias outras localidades onde ocorre esse posicionamento em favor da natureza, dos camponeses, e consequentemente contra aqueles que são os poderosos da região. Nesse final de semana, pôde se consolidar uma luta de todos pela justiça e pelo meio ambiente, mostrar para esse povo de coragem que eles não estão sozinhos.

Por isso coloco esse texto em público, manifestando minha opinião, assim como a dos amigos que integram esse blog, em favor desses lutadores que vivem no dia a dia as dores da perda de um amigo ou familiar devido aos ataques dos poderosos, na busca por justiça. Faço votos de que temos que lutar pelo que é correto, e que essa luta no campo é um reflexo desse pensamento!.

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