Papa: melhor agnósticos do que falsos fiéis

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 26-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.  
 
Melhor agnósticos do que falsos fiéis. Bento XVI deixa a Alemanha com a mensagem mais forte da sua viagem e, na missa conclusiva no aeroporto de Friburgo (diante de 100 mil participantes e de todos os bispos das 27 dioceses da Alemanha), exortou os crentes a não serem apenas fiéis por simples hábito. Com um elogio inusitado e destinado a deixar marca nos "agnósticos que, por causa da questão de Deus não encontram paz, pessoas que sofrem por causa dos nossos pecados e desejam ter um coração puro". Eles estão "mais perto do Reino de Deus do que os fiéis 'de rotina', que na Igreja só veem agora o aparato, sem que o ser coração seja tocado pela fé".

A Igreja não é uma multinacional da filantropia. Não bastam estruturas eficientes, instituições sociais e de caridade capazes de desenvolver um serviço que "requer competência objetiva e profissional". É preciso mais, isto é, "um coração que se deixe tocar pelo amor de Cristo".

Embora expressando gratidão aos que "colocam à disposição tempo e forças no voluntariado", o papa exorta os católicos, em todos os níveis, "a se interrogar sobre a relação pessoal com Deus". E recomenda "oração, participação na missa dominical, meditação da Sagrada Escritura, estudo do catecismo". Não há renovação na Igreja sem conversão e fé renovada.

Aos seus compatriotas, o pontífice faz uma acurada denúncia do "relativismo combativo" e da "campanha de opinião contra a Igreja". Mas é o "fronte interno" que o preocupa mais. Joseph Ratzinger muitas vezes não encontra, por trás de estruturas eclesiásticas bem organizadas, "força espiritual e fé".

Além disso, "uma excedência das estruturas com relação ao Espírito" torna vã qualquer tentativa de reforma. Por isso, Bento XVI apela à honestidade intelectual tanto de quem se diz cristão, quanto daqueles que não professam a fé, mas deveriam respeitá-la. A dimensão religiosa, de fato, é essencial para que a sociedade seja plenamente humana.

É necessário que "as paróquias, as comunidades e os movimentos se sustentem e se enriqueçam mutuamente", que "os batizados e crismados, em união com o bispo, mantenham alta a tocha de uma fé capaz de iluminar conhecimentos e capacidades".

Da sua pátria, o pontífice dirige um vibrante lembrete à unidade da Igreja em resposta às instâncias de reforma disseminadas sobre os divorciados em segunda união, sobre o celibato sacerdotal e sobre a ordenação das mulheres. Não é disso que se precisa, adverte o pontífice, que, justamente em sua terra natal, assim como na Áustria, encontra o maior mal-estar pelo imobilismo do Vaticano para as demandas de mudança.

A Igreja, rebate o papa, "irá superar os desafios presentes e futuros" somente se "sacerdotes, pessoas consagradas e leigos" permaneçam fiéis à "sua própria vocação específica colaborando em unidade". 
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