Meio ambiente: oito peões valem mais que um rei

 Leonardo Sakamoto
 
A Rio+20, Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá por aqui, está se aproximando (está marcada para junho) e juro que quero ver como o Brasil pretende justificar diante do mundo seu descompasso entre discurso e prática, entre um modelo de desenvolvimento que faria corar os verde-oliva durante a Gloriosa e a propaganda de país verde, que gera empregos verdes e quer guiar o mundo para uma economia verde. Bem, não vou entrar nesse debate – mais uma vez – mas abordar um outro tema. Cansei de ouvir intelectuais que se autointitulam “progressistas” ou de “esquerda” e afirmam militar por uma sociedade mais justa e humana fazendo coro com setores políticos e econômicos ao pedir que o meio ambiente não seja um entrave para o crescimento. Que se cuide do planeta, adapte-se padrões de crescimento, mas que o “progresso” não seja afetado.

Fazem contas para mostrar que a vida de algumas centenas de famílias camponesas, ribeirinhas, quilombolas ou indígenas não pode se sobrepujar ao “interesse nacional”. Defendem a energia nuclear como panacéia. Taxam de “sabotagem sob influência estrangeira” a atuação de movimentos e entidades sérias que atuam para que o “progresso” não trague o país numa baforada. Já ouvi esse discurso antes. Mas achei que ele estava enterrado junto com a ditadura e os velhos verde-oliva citados acima. Certas coisas nunca morrem, só trocam de farda.

Valeria a pena pararem para refletir e perceber que o que chamam de “interesse nacional” é, na verdade, o interesse de poucos. Como a implantação de usinas hidrelétricas em regiões de mineração para abastecer a siderurgia de exportação. Antes de pensar em escala macroeconômica, é importante ver o que vai acontecer na realidade da população. E os casos que temos visto não são nada bons.

Recomendo a leitura do Relatório de Impacto Ambiental desses projetos. Há centenas de críticas à implantação da obra, prova-se que as consequências à população e ao meio serão imensas, que no longo prazo os empregos gerados não acompanharão o desemprego movido pelas desapropriações de terras. E, no final, vem a conclusão cara-de-pau recomendando o projeto apenas com uma meia dúzia de sugestões para minimizar o impacto. E com um passivo ambiental que não atrapalha ninguém.

Continue a leitura em: http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/10/08/meio-ambiente-oito-peoes-valem-mais-que-um-rei/
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