Ameaçado de morte, deputado que inspirou 'Tropa de Elite' deixa o país

 
O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) anunciou ontem que deixará temporariamente o Brasil em razão de ameaças de morte sofridas por ele -foram sete no último mês.

O deputado diz que pediu segurança ao governo do Estado sem receber resposta; o governo do Rio nega.

A policia suspeita que um "consórcio" de milicianos tenha se formado para matar Freixo. O deputado é pré-candidato à Prefeitura do Rio.

A reportagem é de Marco Antônio Martins e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 01-11-2011.

A decisão veio após o convite feito há duas semanas pela Anistia Internacional. A instituição, segundo Freixo, teme pela sua segurança.

O deputado diz que pretende ficar "menos de um mês" na Europa, tempo para que haja ajustes no seu
esquema de segurança no Brasil.

Na semana passada, Freixo pediu à Secretaria de Segurança que providenciasse escolta para seu filho. A secretaria diz que o pedido foi "prontamente aceito" e que o deputado afirmou desejar que a escolta fosse concedida a partir de novembro.

Há dois anos, o parlamentar presidiu a CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O relatório final pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas envolvidas com grupos paramilitares e serviu como base para investigações das polícias Civil e Federal.

Sua atuação no combate às milícias inspirou a criação do personagem Fraga, em "Tropa de Elite 2", o que impulsionou sua última candidatura à Assembleia - foi o segundo mais votado no Estado.

Desde o assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto, com 21 tiros, em Niterói, o deputado diz que as ameaças aumentaram.

"Eles [os milicianos] já mostraram do que são capazes. Estou tornando público um problema. Já pedi segurança e não obtive qualquer informação. Já sabemos qual o efeito disso", afirma.

A Secretaria de Segurança do Rio informou que Freixo é o parlamentar que mais recebe proteção no Rio.

Ao saber da decisão de Freixo, o secretário José Mariano Beltrame telefonou para o presidente da Assembleia, deputado Paulo Melo, para informar que Freixo tem toda a segurança que desejar.

DISQUE-DENÚNCIA

Das sete denúncias encaminhadas a Freixo no último mês, cinco vieram do Disque-Denúncia, uma da Polícia Militar e outra da Ouvidoria do Ministério Público estadual.

Há pouco mais de cinco anos, Renato, irmão do deputado foi morto a tiros.

A suspeita dos policiais que investigaram o caso era que os responsáveis pelo crime integravam uma
companhia de segurança clandestina, um dos serviços explorados por uma milícia.
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