Após quatro anos longe dos palcos, Chico Buarque inicia turnê em Belo Horizonte

Entrosamento e bom humor em cima do palco - Foto: AE Ampliar
Por Denise Motta, iG

À vontade, cantor e compositor deu amostra do show do álbum "Chico" no Palácio das Artes

Depois de longa temporada afastado dos palcos, Chico Buarque abre a sua nova turnê em Belo Horizonte, neste sábado (05). A última vez foi com as composições de “Carioca”, em 2006. Os ingressos dos quatro primeiros dias para ver e ouvir o disco “Chico” foram disputados e se esgotaram rapidamente, o que levou o artista a criar data extra de apresentação no Palácio das Artes (mais 1.690 entradas, na próxima quarta-feira).

Na véspera de ser recebido pelos fãs, Chico se exibiu à imprensa em breve ensaio de 20 minutos. No repertório, três músicas: “Querido Diário”, "Sob Medida" e “Anos Dourados”. Perante público de aproximadamente 50 pessoas, o compositor e cantor revelou não somente as músicas, mas também parte do cenário do palco multicolorido, com obras do artista plástico Cândido Portinari.

Chico Buarque nesta sexta-feira, durante ensaio em Belo Horizonte - Foto: AE

Durante sua sólida trajetória artística, o cantor lançou 40 discos, mas subir aos palcos nunca foi uma rotina. Nos últimos 36 anos, esta é só a sexta turnê. Os jornalistas e assessores presentes estavam ansiosos para ver Chico Buarque no palco – afinal, a aparição é rara.

“Como o disco é menos orquestrado do que os anteriores, a participação do conjunto foi maior. Criamos arranjos com menos elementos, o que acabará se refletindo no palco. Chico não se preocupa em fazer shows pirotécnicos, pois o repertório dele basta. A sua filosofia se baseia na linearidade, onde cada novo espetáculo é continuação do anterior”, resume o maestro, arranjador e violonista Luiz Cláudio Ramos, companheiro de jornada do artista desde a peça “Calabar”, de 1973.

Vídeo: assista a um trecho do ensaio

O ensaio estava marcado para começar às 20h, mas houve atraso de quarenta minutos. Dez minutos antes de ele surgir no palco, uma grande tela do pintor Cândido Portinari invadiu a cena: “O Circo”. E, quando Chico apareceu, foi possível ouvir comentários entre os jornalistas que explicam em parte o motivo de os ingressos terem se esgotado rapidamente: “Chegou a entidade” e “Isso aqui não é trabalho. Isso aqui é só prazer”.

Além de “O Circo”, no cenário há, ainda, “O Bloco Carnavalesco”, também de Portinari, e “A Mulher Nua”, de Oscar Niemeyer. Também faz parte do espetáculo a escultura móvel de uma Fita de Möbius. “A escultura é baseada num grande enigma matemático que representa a continuidade da vida”, explica o produtor-geral Helio Eichbauer.

Vestido de preto, o cantor e compositor parecia bem à vontade no palco, enturmado com os colegas de longa data: João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Wilson das Neves (bateria), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo) e Marcelo Bernardes (flauta e sopros). Assovios e gargalhadas deram o tom do entrosamento.

Resultado de uma seleção entre mais de 400 composições, “Chico” chegou às lojas há quatro meses, em julho, e já alcançou a marca de 80 mil cópias vendidas. Os fãs vão conferi-lo ao vivo a partir deste sábado, no Palácio das Artes. As apresentações, que vão de 5 a 9 deste mês, têm duração prevista de 90 minutos, com dez canções de sua carreira que teve início na década de 1960. De Belo Horizonte, Chico Buarque segue para Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Confira.
 
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