PARA ONDE CAMINHA A UFOPA?



Bertold Brecht (1898-1956) escreveu:

"Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso. Porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego, também não me importei. Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém. Ninguém se importa comigo."

Santarém, 05 de novembro de 2011. A Universidade Federal do Oeste Pará – UFOPA completou dois anos. A primeira instituição federal de ensino superior criada no interior da Amazônia desde seu nascimento mostrou uma indubitável “vocação” para atendimento dos grandes projetos que se expandem na região. Majoritariamente, mas não sem resistências e exceções, a formação, a pesquisa e o fazer universitário voltaram-se para a iniciativa privada e a formação de mão-de-obra semi-especializada, para atuar marginalmente nestes grandes projetos, seja na sua execução, seja como profissionais que atuarão nas medidas mitigatórias e/ou compensatórias. O sonho de parte da juventude amazônica reverte-se na promoção metabólica do capital.

Neste cenário, a nomeação de um reitor temporário pelo Ministério da Educação, a ausência de conselhos deliberativos democráticos, a imposição de um modelo político-pedagógico, o total improviso nas condições de funcionamento, administração e trabalho; etc.; concatena esta “vocação” com uma gestão preocupada em assegurar seus próprios interesses na partilha público-privada; transformando e desfigurando o espaço da diversidade de conhecimentos e idéias, num fazer acadêmico operacional via convênios, projetos e termos de cooperações com corporações privadas de vários matizes e tamanhos.

Essa compreensão é o que explica os últimos episódios que marcam o aniversário da UFOPA, em especial, a formação de um Conselho Universitário - CONSUN com predomínio da gestão do Reitor nomeado Seixas Lourenço e sua camarilha de pró-reitores e diretores também nomeados. Frisa-se, que tal espaço só existe após pressão da comunidade universitária e recomendação do Ministério Público Federal. Contudo, o CONSUN da reitoria não contempla a proporcionalidade das categorias, que corretamente se recusam a legitimar este espaço. Ao invés de oxigenar a UFOPA com um conselho democrático, a reitoria prefere assegurar previamente o veto às conclusões do processo da Estatuinte, além de legitimar ações autoritárias, prestações de contas, modelos neoliberais, parcerias público-privadas, expurgos, etc. Por tudo isto, estamos também chamando a proposta de VOTO NULO nos candidatos a este CONSUN.

Mas o aniversário da UFOPA também foi marcado por pequenos sinais de crise. Como reflexo do modelo acadêmico voltado para a lógica de mercado, constata-se o aumento exponencial da competição entre os estudantes, por conta dos ciclos de formação e processos seletivos sequenciais, com caráter eliminatório. Como consequência, a evasão de parte dos que não atingem o IDA - Índice de Desenvolvimento Acadêmico - suposta ferramenta de avaliação, constantemente alterada pela administração e questionada pelos estudantes e professores. Este formato mostrou o seu fracasso com o esvaziamento do Instituto de Educação e agora, com a potencial explosão de uma crise no Instituto de Ciências da Sociedade, onde 170 dos 220 estudantes querem uma das 50 vagas do curso de Direito, a grande maioria sinalizando que abandonará a Universidade caso a vaga não seja conseguida.

Para impor a lógica da competição desenfreada, todo tipo de improviso é feito. A ausência de regras e a quebra de outras, quando convém, vira uma constante. O darwinismo social também inclui eliminar conteúdos, disciplinas e professores, que por qualquer motivo, não se encaixem no roteiro da administração da UFOPA. É nesta lógica que se insere a anulação da disciplina de “Formação Social, Política e Econômica do Brasil”, sumariamente eliminada da contabilidade do IDA, supostamente para garantir “isonomia” de competição entre os estudantes. Da mesma forma, a padronização de avaliações com a instituição de provões únicos em várias turmas, com provas de marcar, mostra que na UFOPA a avaliação deixou de ser instrumento de aferição do ensino e aprendizagem e que professores não possuem mais autonomia.

A tudo isto se soma agora um verdadeiro caso de polícia. Trata-se da publicação da Portaria n°1.428 de 7 de novembro de 2011, afastando o companheiro, professor e militante do PSTU, Gilson Costa, com base em um laudo médico falso. Isto mesmo, após várias tentativas de afastamento do professor de suas funções acadêmicas, a administração da UFOPA se utilizou de uma falsificação para retirar este trabalhador de suas atividades.

A este episódio se ligam outros acontecimentos como a punição do mesmo professor e de um técnico administrativo com uma advertência escrita, por terem participado dos protestos durante a abertura do semestre passado. Aos processos administrativos, somou-se uma estratégia de perseguições, ataques e desqualificação pessoal e profissional do professor, que inclui gravações secretas de suas aulas, “fakes” do professor na internet, reuniões de professores e estudantes para promover armações – inclusive passando em salas de aulas para desqualificar o professor e propagando todo tipo de calúnia, difamação e assédio moral – dentro da universidade, na cidade de Santarém e região.

Neste contexto, o professor Dr. Gilson Costa teve sua saúde abalada. A direção de seu instituto passou a exigir o seu afastamento para tratamento de saúde em troca de não abrir um novo processo administrativo contra ele, montado a partir de uma das armações feita em sala de aula. Esclarece-se que alguns dos personagens que hoje dizem ser os “candidatos” da comunidade universitária junto ao Conselho Universitário fantoche estão envolvidos nesta armação. No dia 19 de outubro, foi marcada uma perícia médica com equipe de Belém designada pela UFOPA para verificar a saúde do professor. O mesmo não compareceu, pois se encontrava no evento Seminário: Lógica do Mercado e Crise Ambiental na UFMA, em Imperatriz/Maranhão. Contudo, o professor se comprometeu a participar da aferição com a mesma junta médica no dia 25 de outubro, em Belém, na UFPA, quando retornaria do evento.

Nesta data, o professor Gilson Costa procurou o SIASS (Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor) da UFPA para realizar a perícia, mas o médico responsável não estava presente. Foi emitido um documento comprovando que o professor tinha procurado a equipe da perícia. O professor retomou então para Santarém e para suas atividades laborais. No dia 07 de novembro, o bolo de aniversário da UFOPA, tinha como vela a Portaria n° 1.428, assinada pelo vice-reitor nomeado e em exercício da Reitoria, Clodoaldo Alcino Andrade dos Santos, concedendo “Licença para Tratamento de Saúde” ao professor Gilson Costa, por 90 (noventa) dias, no período de 25 de outubro a 22 de janeiro de 2012. A licença foi dada com base num Laudo Médico Pericial assinado em 03 de novembro de 2011 pelo médico Francisco Jadir de Souza Campos (CRM-PA 1184), da UFPA. O mesmo laudo aponta que o professor não deve voltar ao trabalho após o período de licença. O curioso é que o início do afastamento é 25 de outubro, embora o laudo seja de 03 de novembro e se refira a uma suposta consulta ocorrida em Belém, data em que o professor Gilson Costa estava em Santarém ministrando suas aulas, participando de outras atividades, inclusive das reuniões de nosso partido e das eleições sindicais do SINDUFOPA, podendo assim contar com dezenas de testemunhas da fraude cometida pela UFOPA contra ele.

De nossa parte, iremos começar uma grande campanha contra este crime e de todas as ações de assédio moral que a administração da UFOPA anda promovendo, contra os/as trabalhadores/as e ainda de solidariedade ao professor Gilson Costa e apoio aos docentes, discentes e técnicos da universidade que estão sendo vítimas de ações criminosas como esta. Iremos ainda procurar as esferas civil e criminal para que aqueles que participaram desta fraude respondam por isto.

Por que tanta perseguição contra o professor Gilson Costa – porque é socialista, revolucionário e militante do nosso partido? Há tanto medo/temor de nosso camarada e partido descobrirem o que está por trás das parceiras da UFOPA? Calar uma voz do professor Dr. Gilson Costa por meio de um crime nos parecer um ato de desespero do Reitor e sua Corte.

Chamamos a comunidade da UFOPA a reagir contra mais este absurdo que a direção pró-tempore da Universidade vem promovendo. Que o exemplo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) inspire os lutadores da UFOPA. 


PELA ANULAÇÃO IMEDIATA DOS PADS E PORTARIAS, CONTRA TRABALHADORES/ESTUDANTES DA UFOPA!

RESPEITO À COMUNIDADE ACADÊMICA! NÃO À REITORIA DITATORIAL DE SEIXAS LOURENÇO!

ABAIXO O CONSUN FANTOCHE! POR PARIDADE E DEMOCRACIA JÁ! VOTE NULO!
Santarém, 28 de novembro de 2011.

PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES UNIFICADO – PSTU/Santarém
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