Manisfesto dos estudantes do ICS-UFOPA sobre IDA

NOTA DE REPÚDIO AO IDA – “ÍNDICE DE DETURPAÇÃO ACADÊMICA”

Nós, estudantes da turma T1 da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA –, vimos por meio deste manifesto, que tem o apoio de grande parte dos acadêmicos desta Instituição, expor nossa indignação frente a situações que vivemos diariamente na universidade. Desejamos não mais do que expor à sociedade civil santarena e principalmente aos estudantes que pretendem ingressar na UFOPA a realidade prática de aplicação do novo modelo implantado que se distancia em muito do belo discurso teórico exposto na mídia pelo excelentíssimo senhor REItor Seixas Lourenço. É importante esclarecer que este ato não se resume em uma tentativa de boicote da nova universidade, não é essa nossa intenção; desejamos apenas informá-los sobre fatos problemáticos que enfrentamos em nosso cotidiano por entender que a UFOPA é uma conquista da região e que, por isso, as lacunas do modelo dizem respeito não só aos estudantes, mas a toda sociedade.

Esta nota de repúdio tem como foco principal abordar os prejuízos que advêm do sistema de seleção “inovador” implantado na UFOPA. O percurso acadêmico é totalmente dependente do IDA – índice de desempenho acadêmico – instrumento que tem como função medir a capacidade intelectual dos estudantes para que depois, internamente, estes possam se inscrever nos cursos e esperar para serem aceitos, ou não. Nós, estudantes da UFOPA, verdadeiramente, fomos jogados em uma arena na qual a cada dia somos forçados a nos digladiar para trilhar o caminho tortuoso da competição que nos foi imposta e assim alcançar o “direito” de escolher o curso que desejamos .

Um modelo de universidade que foi criado para ser definido pela concorrência interna exige critérios de organização muito maior, e nesse sentido, nós, que já somos obrigados a lidar com a pressão de disputar internamente as vagas nos cursos, ficamos ainda mais angustiados, pois a desorganização é imensa: não existem critérios definidos para as avaliações, a fórmula de cálculo do IDA é confusa e o princípio da isonomia – intrínseco a todo processo de seleção – está longe de ser respeitado na UFOPA. Desde que entramos nesta universidade somos cobaias de um sistema de seleção implantado de forma irresponsável, autoritário e totalmente fora dos padrões de qualquer processo seletivo público deste país.

Outro ponto pertinente a ser destacado é que o modelo em si exige pela sua própria natureza meritocrática, a formulação de atos administrativos que acabam por limitar ou questionar a autonomia inerente ao professor. Para facilitar a visualização do paradoxo que enfrentamos diariamente basta refletir: como garantir que as avaliações sejam equivalentes, que as turmas estejam equiparadas, que o processo seletivo interno seja isonômico sem questionar a autonomia do professor? É impossível. O próprio modelo define problemas para si e não é capaz de conter a complexidade de suas muitas limitações. A partir da reflexão proposta é fácil perceber que o sistema impõe certa fragilidade à relação professor-aluno na universidade. Muitas vezes tivemos a sensação de que nossos muitos questionamentos exigindo nossos direitos dentro do processo seletivo, por naturalmente confrontarem direta ou indiretamente a autonomia do professor, acabaram por afastar alguns dos mestres. Vê-se que as falhas do sistema delimitam cautela até para exigir o que nos é devido como estudante, cautela para que erroneamente nossos atos não acabem por transformar os professores em “inimigos” neste processo em que na verdade ambos somos vítimas.

Outro problema que requer a atenção da sociedade é a falta de democracia evidente que existe na Universidade. Os diálogos entre alunos e administração, quando ocorrem, não atendem as necessidades dos estudantes que acabam por não ter alternativa senão se resignar diante das arbitrariedades do sistema vigente. (a falta de democracia será tratada de forma mais ampla em outro momento).

Novamente queremos ressaltar que este ato não tem como objetivo boicotar a nova universidade, muito menos instigar os estudantes que pretendem ingressar na UFOPA a desistirem do sonho de estudar na Universidade Federal do Oeste do Pará. Desejamos apenas fornecer aos próximos que entrarem informações que não possuíamos quando ingressamos no início de 2011. Somos a primeira turma a estudar dentro do novo modelo acadêmico, por isso nos sentimos na obrigação de informar a sociedade à situação em que se encontra a UFOPA. O desrespeito aos direitos dos alunos é constante e a evasão é muito grande. Nossa argumentação não pretende alçar níveis de abordagem teórica que ainda não dominamos, mas se resume a abordagem pelo entendimento dos efeitos práticos negativos do processo implantado. Assim, entendemos que o processo seletivo interno baseado no IDA, se permanecer desorganizado como está, está fadado ao fracasso.

Por fim, convidamos a sociedade santarena a se juntar a nós no anseio de construir a universidade que merecemos e à luta pela construção de um modelo acadêmico de qualidade a que todos temos direito.

Este documento foi elaborado a partir da iniciativa de acadêmicos da turma do Instituto de Ciências da Sociedade do turno da tarde. A comissão que elaborou a nota também está organizando um manifesto a ser realizado no dia 2 de dezembro na orla da cidade. A pauta tratada acima e o convite ao manifesto foram estendidos e expostos a todos os alunos da UFOPA.

Comissão organizadora: Carla Ninos, Monique Lorena, Osinaldo, Rayanna Dolores, Solon Godinho e Telma Bemerguy.
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