domingo, 20 de março de 2011

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES DA UFOPA E À SOCIEDADE SANTARENA


            É latente a ausência de democracia na Universidade Federal do Oeste do Pará, desde sua criação oficial, em outubro de 2009. O reitor da UFOPA foi indicado de maneira unilateral pelo Ministro da Educação; não temos até hoje um Conselho Universitário, formado por representantes das três categorias (estudantes, professores e técnicos); todas as decisões importantes são tomadas unicamente pelo Reitor e sua equipe – inclusive a implantação da ‘nova’ estrutura acadêmica, que inclui, dentre outros aspectos, o CFI, bacharelados interdisciplinares e licenciaturas integradas.
            Há anos o movimento estudantil e os movimentos sociais vêm tentando dialogar com o corpo dirigente da Universidade, no sentido de instaurar um processo democrático na instituição. Inclusive apresentamos um projeto alternativo para a UFOPA, intitulado “A Universidade que queremos”. Entretanto, a maioria das nossas iniciativas não obteve êxito. A Reitoria é surda aos nossos clamores e, ao invés de abrir espaços públicos de discussão, prefere se pautar em atitudes autoritárias, reprimindo e intimidando os estudantes, professores e funcionários que ousam discordar do projeto (im)posto pelos donos do poder.
            É dentro desse contexto que realizamos o ato público do dia 18 de março de 2011, durante a aula magna no Auditório do Hotel Amazônia Boulevard, conforme deliberado na Assembléia geral dos estudantes do dia 17 de março. Nossa principal bandeira levantada na ocasião foi: Democracia/Diretas já! Afinal de contas, a comunidade acadêmica tem o direito de escolher o seu reitor e de decidir qual o modelo acadêmico melhor atende aos seus anseios, dentre outras questões.
            De fato, o momento em que interrompemos a programação da Reitoria não foi o mais adequado. Aliás, não era essa a nossa intenção. Entretanto, foi o único caminho que encontramos para nos fazer ouvir, já que os membros da Administração negaram a nós o direito de falar no evento – uma atitude claramente autoritária, a exemplo de não terem convidado o DCE [entidade máxima dos estudantes da UFOPA] para compor a mesa de abertura da aula magna.
            A Universidade é, por excelência, um espaço de produção de conhecimento e debate de idéias. Portanto, não podemos admitir essa ditadura do pensamento único, em que a única voz autorizada a se manifestar é a da Reitoria. Precisamos defender a plena liberdade de expressão e o amplo debate público de todas as questões pertinentes à UFOPA. O reitor não quer isso, mas nós lutaremos sempre para que todas as vozes sejam ouvidas na nossa Universidade. Nunca nos calarão!
            Por outro lado, é importante ressaltar que a falta de diálogo da Reitoria com o movimento estudantil gera vários efeitos negativos para a vida de todos os estudantes. A ausência de uma política séria de assistência estudantil é uma prova disso. Nunca constou no Projeto oficial da UFOPA a construção de uma Casa do Estudante, para abrigar acadêmicos oriundos de outros municípios. Um Restaurante Universitário sequer é cogitado pelo Sr. Seixas Lourenço. A estrutura física da nossa Universidade – salas de aula, bibliotecas, laboratórios, etc. - deixa muito a desejar. Ademais, as inúmeras dúvidas sobre o funcionamento do CFI nunca são respondidas satisfatoriamente pela Administração (o caso do Índice de Desempenho Acadêmico – IDA é emblemático nesse sentido).
            Por isso tudo, é extremamente importante que o corpo estudantil da UFOPA esteja sempre unido, de modo a reivindicar com eficácia suas demandas fundamentais. Não podemos nos render ao discurso maquiavélico de alguns setores que tentam colocar estudantes contra estudantes. Todos nós, ‘calouros’ e ‘veteranos’, fazemos parte de uma mesma categoria: os estudantes da UFOPA. Possuímos as mesmas demandas, sofremos dos mesmos problemas, temos sonhos e aspirações parecidos. E, o que é mais importante, todos nós almejamos uma Universidade pública de qualidade, que cumpra os desafios sociais que o povo da região espera; que contribua para o verdadeiro desenvolvimento da Amazônia, produzindo um conhecimento socialmente útil para a maioria da população.
            Como dizia o grande poeta Carlos Drummond de Andrade, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas, construir a Universidade que queremos!
            Santarém/PA, março de 2011.

Diretório Central dos Estudantes da UFOPA (DCE/UFOPA)
União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES)

Democracia desafia o REItor!!

Interessante texto postado no blog: Quarto Poder.

O dia em que o Reitor Calou! 
Felipe Bandeira* 

A aula magna realizada pela UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará) que ocorreu na última sexta-feira (18) foi marcada pelos protestos dos estudantes. Os acadêmicos reivindicam a forma como a coordenação da universidade decide, sem o menor diálogo com os estudantes, as questões pertinentes ao novo modelo adotado pela instituição. O manifesto estava cunhado de críticas ao reitor, o Sr. José Seixas Lourenço, “ele aparece de ano em ano na universidade para ministrar a aula magna aos calouros e depois volta para a sua luxuosa mansão em Brasília”, disse um manifestante indignado ao megafone em um círculo de debates que se formou frente ao auditório. Foram feitos cadastros em uma folha de papel A4, no qual todos podiam se inscrever, tendo 3 minutos para exporem suas opiniões e pontos de vista. Participaram da discursão pessoas de ambos os lados da questão.

Um fato que não chegou a ser cogitado diretamente no protesto, mas que já foi constatado na sala de aula, é o despreparo ou falta de planejamento na formulação dos livros dos módulos. Alguns textos são incoerentes, inclusive conceitualmente, e dificultam o andamento das aulas. Os livros já foram utilizados anteriormente, quando a UFOPA ofertou os cursos para o PARFOR (Programa de Formação de Professores da Educação Básica). Desde lá (meados do ano passado) foram alvejadas críticas severas -pelos próprios professores- ao material. Contudo, os textos não foram reformulados e nenhuma vírgula sequer foi acrescentada ou retirada do material.

Outro ponto de crítica pautado pelos manifestantes foi o IDA (Índice de desempenho acadêmico). O IDA é a ferramenta a qual a academia realiza a seleção e projeta os alunos com as médias alcançadas para os institutos (após o 1º ciclo) e as graduações (após o 2º ciclo), configurando assim duas etapas de seleção (período que dura em torno de 1 ano), e funciona como um funil até chegar ao curso pretendido. Os manifestantes questionavam o porquê do aluno que já fez o vestibular (ENEM), ter que ser submetido a dois outros processos de seleção. A coordenação da UFOPA justifica advogando que todos os alunos permaneceriam na instituição e os que não alcançarem a média para o curso pretendido, poderiam refazer os ciclos. Essa fórmula contrapõe o modelo antigo adotado anteriormente pela UFPA, onde em média 1300 pessoas disputavam 40 vagas para o curso de Direito e os que não conseguiam se qualificar ao processo ficavam totalmente desconectados com a instituição e sem a graduação, por exemplo. Dessa forma, o IDA desponta como um item indispensável ao debate entre os acadêmicos da Federal.

A consolidação efetiva da UFOPA, ao que parece, deverá ser regada por críticas e sugestões de todos os acadêmicos que demonstram não estarem infectados com o vírus do comodismo. A luta é constante. A universidade deve ser construída das bases, pelos próprios acadêmicos, só assim poderemos almejar a educação de qualidade que o Brasil anseia faz mais de 500 anos.

Independente de como seja lembrado, se pejorativo ou não, a sexta feira (16) marcou a história da UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ. Não como o dia da “Excelentíssima aula magna”, mas sim, quando os estudantes reunidos na rua discutiram a educação e as políticas públicas. É uma imagem que ficará na memória de muitos. O dia em que ganhou voz os que ansiavam ser ouvidos.

*Acadêmico da UFOPA-2011 

Nota dos parlamentares pela imediata libertação dos presos da passeata de protesto do Rio!

Fonte: http://www.pstu.org.br/internacional_materia.asp?id=12511&ida=0

abaixo a nota divulgada pelos parlamentares exigindo a libertação imediata dos presos políticos:

• Nós, parlamentares e dirigentes políticos fluminenses, estamos empenhados na imediata libertação do(a)s cidadã(o)s - trabalhadores e estudantes - presos por estarem participando de manifestação democrática e pacífica, em 18/3, contra a política intervencionista dos governos dos EUA no mundo.

Em inquérito sumário e célere, 12 pessoas foram acusadas de atirarem 'artefato incendiário' e 'causar lesões corporais' em funcionário do Consulado norte-americano no Rio e se encontram encarcerados. Os homens, inclusive, já tiveram suas cabeças raspadas!

Desafiamos as autoridades policiais do Rio de Janeiro e também o próprio Consulado estadunidense a provar o envolvimento de qualquer dos detidos no ato de vandalismo.

A continuada detenção desses militantes é arbitrária e injusta, e o Judiciário precisa acolher os pedidos de Habeas Corpus.

Liberdade para os presos já!

Sábado, 19 de março de 2011

Assinam:
Senador Lindberg Farias (PT),
Deputados Federais Chico Alencar (PSOL), Jean Wyllys (PSOL) e Stepan Nercessian (PPS),
Deputados Estaduais Janira Rocha (PSOL) e Marcelo Freixo (PSOL),
ex-Deputado Federal e Presidente Regional do PSTU, Cyro Garcia

Violência contra manifestação!


Na última sexta-feira um protesto, contra a visita de Obama, organizado pela CSP-Conlutas, pela Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre - ANEL e por diversos sindicatos foi sofreu violenta repressão policial.
O protesto é parte de uma jornada nacional, que inclui atos em outras cidades e tem como objetivo denunciar a visita de Obama, a entrega do petróleo, os acordos de livre comércio com o governo brasileiro. Também pretende apoiar a revolução árabe e denunciar os ataques do imperialismo aos povos do mundo, como no Iraque, e que agora se repete na Líbia.
Desde o início do protesto os policiais demonstravam que não o tolerariam. Apenas depois de uma longa negociação, de quase duas horas, a passeata pôde prosseguir.
 
A manifestação contou com cerca de 400 pessoas pelo centro do Rio de Janeiro. A passeata parou em frente ao consulado dos EUA e no momento em que estavam reunidos em um grande círculo, os manifestantes e os jornalistas escutaram uma explosão ao fundo e foram surpreendidos com o avanço da polícia, que atacou com cassetetes, atirou com balas de borracha e lançou bombas de gás e depois perseguiu os manifestantes pelas ruas vizinhas. As cenas desse momento foram gravadas por manifestantes e estão no site do PSTU.
Dezenas de pessoas ficaram feridas e entre 12 e 15 manifestantes foram presos. Entre eles, um estudante, menor de idade.
A polícia declarou que coqueteis molotov foram jogados contra os policiais, atingindo um segurança do Consulado. Sobre isso as entidades que organizaram o ato declararam que não concordam ou apoiam atitudes como essa no ato, convocado como uma manifestação totalmente pacífica.
Este espírito pacífico era compartilhado pelos manifestantes. Já que transformar a passeata em uma batalha apenas favoreceria o imperialismo, evitando que se discuta as verdadeiras intenções da visita.
A ação policial derruba por terra qualquer respeito à liberdade e os direitos humanos e indica uma criminalização dos protestos, ao melhor estilo dos Estados Unidos. Um exemplo foi dado na delegacia, quando policiais exibiram suas “apreensões”: uma garrafa de cerveja que teria sido usada como parte de um coquetel molotov e um soco inglês. Para que a imprensa fotografasse, foi colocada uma bandeira e um cartaz do PSTU, atribuindo responsabilidade sobre os ataques. Desde quando uma bandeira, um símbolo de um partido político pode ser apresentado como algo criminoso?
Se faz urgente que haja uma investigação e uma resposta do governador Sergio Cabral e de seus secretários de Segurança e de Direitos Humanos sobre os fatos desta sexta-feira. Imediatamente, devemos exigir a libertação de todos os presos.
Devemos fazer um grande repúdio à violência ocorrida no ato e à criminalização dos que lutam. São os primeiros presos políticos do governo Dilma.
Trata-se de mais um episódio de criminalização dos movimentos sociais.
Devemos assinar o abaixo assinado online: Abaixo-assinado Libertação imediata dos 13 presos políticos, que protestavam contra a visita de Barack Obama ao Brasil. . É um texto democrático que pode ser assinado por todos.

Precisamos de uma resposta rápida em defesa de nossos companheiros!!!

Leia também:

Expansão da educação ou expanção da propaganda?

Importante matéria da Revista Época que traz algumas informações sobre a Reforma Universitária que se iniciou com Lula, serve para compreendamos um pouco melhor a situação da UFOPA e as críticas feitas ao "novo" modelo por amplos setores.



O governo anunciou a maior expansão das universidades federais da história. Mas os novos cursos estão funcionando com laboratórios sem equipamento, em lugares improvisados e com professores voluntários. Como a falta de planejamento aliada à pressa eleitoral em expandir o ensino superior está prejudicando a formação de milhares de alunos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Terraplenagem em Belo Monte

A hidrelétrica de Belo Monte começa a sair do papel após um duro embate judicial. Nessa segunda-feira, dia 07, teve início a terraplenagem do empreendimento de deverá ter investimentos superiores a R$ 19 bilhões, localizado na região do Xingu, no Pará.

A reportagem é do jornal O Liberal, 08-03-2011.

No mês passado, a Justiça Federal concedeu liminar suspendendo o início das obras, sob o argumento de que as condicionantes ambientais não foram cumpridas pelos executores do projeto, mas, semanas após, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região cassou a liminar. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu uma licença ambiental de instalação parcial do canteiro de obras para não atrasar o cronograma de geração de energia, que está previsto para começar em 2015, conforme definido no leilão da usina.

Se a constução de Belo Monte não iniciasse este mês, a hidrelétrica entraria em operação com um ano de atraso. As obras de terraplanagem vão facilitar o acesso à área em que a hidrelétrica será erguida. Belo Monte é a maior obra do setor energético em execução no país e vai atender à demanda de energia de todo o país. A construção está sendo realizada pelo consórcio Norte Energia.

Social

A liberação da construção do canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, não deve diminuir a mobilização dos movimentos sociais da região contrários ao projeto. A autorização para as obras não faz da usina um fato consumado, segundo a assessora política do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Renata Pinheiro. Na última semana, um grupo de indígenas foi a Londres protestar contra o financiamento de Belo Monte em frente ao escritório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Vamos continuar resistindo. Não foi surpresa (a derrubada da liminar), mas ficamos indignados com a decisão. O Judiciário não tem cumprido sua função, tem agido de forma arbitrária".

A estratégia das lideranças indígenas e ribeirinhas da região será cobrar o julgamento do mérito das ações que tramitam contra Belo Monte e que estão suspensas por liminares. "Vamos tentar pressionar para que a Justiça julgue o mérito. Não faz sentido julgar daqui a quatro ou cinco anos, quando a usina pode estar construída". As comunidades do Xingu e o Ministério Público Federal (MPF) no Pará argumentam que a concessão da licença parcial descumpre a legislação ambiental brasileira. Sem o cumprimento das condicionantes previstas para a licença prévia, etapa anterior ao licenciamento, os impactos da obra podem causar prejuízos ambientais e sociais irreparáveis à região, de acordo com os opositores da usina.

USA



Fonte: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff

O cérebro tem um horário melhor para realizar algumas atividades?

O órgão sofre alterações ao longo do dia. Mas a ciência séria se recusa a criar uma agenda fixa para todos nós

por Denise Dalla Colletta
Editora Globo
Shutterstock
Aposto que você já leu reportagens dizendo qual é o melhor horário para acordar, comer, pensar, fazer exercícios e até sexo. Mas será que o cérebro opera assim como um relógio? E mais, as pessoas seriam tão iguais a ponto de compartilharem os mesmos ciclos?
"O funcionamento do cérebro sofre flutuações [ao longo do dia]. As mais evidentes são acordar e adormecer", explica o neurocientista Fernando Louzada. Durante o sono, temos ciclos bem claros que duram 90 minutos, nos quais as diferenças na atividade cerebral podem ser medidas. "Existem evidências de que essa flutuação ocorra também durante a vigília, temos momentos de maior e menor atenção durante o dia, semelhante ao sono, mas de forma mais sutil. Podemos não perceber porque somos bombardeados por estímulos que interferem na atenção".

>> As idades do cérebro
>> Seu cérebro tem fome de quê?

O cérebro tenta sincronizar seus ciclos com as 24 horas do dia. Mas saiba que dormir, acordar e até a liberação de hormônios são atividades influenciadas principalmente pela luminosidade, ingestão alimentar e atividade física, independente do horário.
Quanto aos horários fixos, pesquisadores de cronobiologia, área que estuda os ritmos do corpo, não generalizam e dizem que não existem faixas de horário melhores para alguma atividade. "É uma grande bobagem, pode valer para a média, mas esquecemos que ninguém é a média. Transformar média em norma é um grande equivoco", diz Louzada. Um dos focos desse campo de pesquisa é justamente descobrir as diferenças individuais nesses ciclos.
Apesar de ser impossível dizer que há horário certo para fazer cada coisa, o ser humano é uma espécie diurna. "Noite e madrugada não são propícias para provas e competições, tarefas que exigem o máximo do organismo. O melhor desempenho físico, em geral, é atingido entre 16h e 20h", diz Louzada.
Os ciclos variam em cada pessoa e também de acordo com a idade. "Como bebês, dormimos muito. Depois, passamos a dormir um pouco menos e apenas durante a noite; como adolescentes, atrasamos nossos horários de dormir e acordar", explica Luiz Menna-Barreto, livre-docente em cronobiologia. De acordo com o especialista, para descobrir seu ritmo é necessário auto-conhecimento, observação e avaliação de como a pessoa se sente ao realizar suas atividades em horários diferentes. "A resposta está nos indivíduos. Convença um poeta que cria seus poemas nas horas ditas mortas da noite a escrever às 7h ou 8h da manhã. Provavelmente não vai sair nada que preste".

Dia da mulher atrasado

Will Tirando hehehehe muito bom!!
fonte: http://www.willtirando.com.br

terça-feira, 8 de março de 2011

Parabéns Mulheres

O Outra Frequência não poderia deixar de Parabenizar as nossas MULHERES pelo seu dia e desejar que a valorização da mulher na sociedade brasileira e mundial cresça cada vez mais, para que possamos construir um mundo bem melhor!!

PARABÉNS MULHER, PELO SEU DIA, POR SER UM DOM NA VIDA DE TODOS!! POR SER ESPECIAL!!

 Segue matéria interessante do Diário do Pará 

 Dia da Mulher: elas avançam, mas a luta continua

O perfil da mulher paraense mudou muito nos últimos 10 anos. Além de estarem mais presentes no mercado de trabalho - pesquisa feita pelo governo do Pará aponta que o contingente feminino aumentou em meio milhão de pessoas -, elas também começam a se destacar em profissões antes dominadas pelos homens, como o disputado mercado da produção joalheira. Alguns desafios do passado, no entanto, ainda persistem, já que o número de ocorrências de violência contra a mulher aumentou nos três primeiros meses deste ano, em relação a 2010.

No Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta terça-feira (8), a população feminina tem muito a comemorar. Mas também precisa continuar lutando por uma igualdade maior no mercado de trabalho e para que leis como a "Maria da Penha" surtam mais efeito. Os indicadores ainda apontam para a desigualdade de gênero, quando se constata que cabem às mulheres salários mais baixos, taxas elevadas de desocupação e maior precariedade nos postos de trabalho. Esta pesquisa, no entanto, vai ajudar o governo do Estado a formular políticas públicas direcionadas para o gênero feminino, que já deixou de ser frágil há muito tempo.

Meio milhão de mulheres no mercado de trabalho

A participação da mulher paraense no mercado de trabalho cresceu no período de 1999 a 2009. O crescimento representou a incorporação de mais 522 mil mulheres na População Economicamente Ativa - PEA. Elaborado pelo Instituto Econômico Social e Ambiental do Pará (Idesp), com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD, realizada pelo IBGE, o estudo mostra que a presença da mulher no mercado de trabalho passou de 41,12% para 43,07%.

De acordo com o levantamento feito por técnicos do Idesp, esse avanço aconteceu, em grande parte, em razão das mudanças econômicas, culturais e políticas decorrentes, seja da ação do movimento de mulheres, que proporcionou o aprimoramento da legislação trabalhista e diminuição da discriminação; seja pela necessidade de obtenção de uma renda média maior.

Mesmo sendo motivo de comemoração, os números da pesquisa do Idesp poderão ajudar o governo do Estado a pensar políticas específicas para as mulheres, já que o estudo detectou alguns problemas vivenciados pelo sexo feminino no mercado de trabalho. A pesquisa detectou, por exemplo, evidências preliminares da subutilização da força de trabalho feminina - considerando que sua participação é bem inferior à apresentada pela população masculina.

O processo discriminatório a que a mulher é submetida, revela-se a princípio, em taxas de desocupação superiores (12,68% contra 7,74%) àquelas registradas entre os homens e prossegue, de forma evidente, a partir do momento em que ela passa a ocupar um posto de trabalho, seja recebendo remunerações médias inferiores, seja desenvolvendo atividades mais precárias ou de menor de grau de qualificação.

Isso é comprovado quando analisada a participação das mulheres em determinados segmentos. As mulheres são predominantes em quatro grupamentos de atividades: Serviços Domésticos (93,9%), Educação, Saúde e Serviços Pessoais (76,8%), Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais (56,0%) e Alojamento e Alimentação (63,0%).

Outro fator que comprova a desigualdade é que aproximadamente 53% das trabalhadoras apresentam rendimentos mensais de até um salário mínimo, enquanto esse percentual entre os homens cai para 34%. Para compensar o desnível, os estudos mostram ainda que a participação das mulheres chefes de família que recebem rendimentos acima de cinco salários mínimos, se aproxima da dos homens: 4% contra 7%.

(Secom)

Nada melhor que saber expressar sua individualidade

Will Tirando muito bom!!

Dificuldades para dormir?


Foi divulgado nesta última segunda-feira um estudo nos Estados Unidos, informando sobre a dificuldade que as pessoas estão tendo em dormir devido ao uso de aparelhos eletrônicos antes de fazê-lo.
O estudo realizado pela Fundação Nacional do Sono informou que 95 por cento dos nortes americanos vêem televisão, usam laptops, utilizam o telefone ou até mesmo jogam videogames.
Segundo Charles Czeisler, da Escola Médica de Harvard, falou que; “O estudo revela que as telas que emitem luzes são utilizadas de forma intensa durante o momento crucial antes de dormir”
Também comentou que; “A invasão destas tecnologias que alertam tanto nos quartos pode contribuir na alta proporção de pessoas que responderam que dormem menos do que precisam”
Com um brilho muito intenso das telas de aparelhos portáteis e de monitores a liberação do hormônio que libera o sono, a melatonina, não consegue entrar no estagio de descanso, pois se encontra com o uso intenso dos aparelhos eletrônicos sempre em estado de alerta, assim faz com que se torne mais difícil conciliar o sono.
Durante a pesquisa, foi mostrado que 13 pessoas há 64 anos, sentem que raramente ou nunca tem uma noite de sono completa durante uma semana de trabalho, isso em números percentuais para a pesquisa fica em 43 por cento das pessoas.
Porque a pesquisa mostrou o índice nas pessoas mais velhas; porque elas são mais propensas a ver televisão, enquanto os mais jovens saem para festas, ou optam por estar à frente de videogames, computadores ou smartphones, isso tudo de acordo com o estudo.
Segundo os pesquisadores, o uso de computadores, videogames e até mesmo smartphones é mais estimulante do que ver passivamente televisão e assim, dificultando mais à hora do sono, ou seja, para que tenhamos uma bela noite de sono e assim, um bom descanso, devemos evitar ficarmos algumas horas antes de irmos dormir, a frente de aparelhos eletrônicos, para que nosso sistema corporal possa trabalhar perfeitamente e assim prepara nosso estado psíquico na hora do sono.

domingo, 6 de março de 2011

Manifesto UFOPA Livre


À COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFOPA
Prezados e Prezadas, 
            Estamos em um MOMENTO CRÍTICO na UFOPA. Nossa tão sonhada UNIVERSIDADE, que tem apenas “um ano” de vida, está sendo demandada pela sociedade. Vozes que ecoavam no âmbito da instituição agora ecoam fora (blogs, rádios, jornais, revistas e televisão). Após muitas divergências internas em torno da imposição de um Modelo Acadêmico apresentado veladamente como “inovador”, “flexível” e “interdisciplinar”, a realidade chegou a nossa porta com uma grande sobra de vagas, que demandou diversas repescagens e desmoralizações.
Quem não se lembra da euforia manifestada por e-mails divulgados pela Reitoria em NOVEMBRO DE 2010?
Vejam a vitória de todos nós na divulgação da UFOPA e na implantação do novo modelo acadêmico. Há inscritos de todo o país e 98,74% são do Pará. E não se inscreveram para determinado curso, mas para a UFOPA, em seu novo modelo acadêmico” (Ramalho, R., Pró- Reitor de Ensino, 11/2010).
 “Isso mostra que o Brasil e o Pará aprovam o modelo acadêmico da UFOPA. Significa a credibilidade institucional que tem como base a credibilidade das pessoas que fazem a UFOPA, docentes, técnicos, estudantes e administração sob a liderança do reitor José Seixas Lourenço. Mostra que as pessoas estão dispostas a ajudar a inovar na educação superior. Estão dispostas a buscar resultados melhores do que temos com os modelos acadêmicos das atuais Universidades. Todos estamos acreditando que é possível um mundo melhor e que para isso deve ser cultivada a cultura da aprendizagem na universidade” (Queiroz A., Pró-Reitor de Planejamento, 11/2010).
 “Senti-me muito emocionada em ver que esta universidade, com a inovação a que se propõe está sendo referendada pelos jovens. Afinal de contas é o público a quem nos dedicamos a servir. Primeiramente, é espetacular ver o número de inscritos; é tranqüilizador ver que a quase totalidade é do Pará; especialmente reconfortante é ver o volume de municípios envolvidos além de Santarém; mas é fantástico se ver quase todo o país presente!” (Faria, D. Diretora do CFI, 11/2010).
            Em uma matéria amplamente divulgada pelo “Jornal da UFOPA” (nº 1/Dezembro/2010, p. 4), registrou-se também que a “UFOPA recebeu 17.585 inscrições para o seu primeiro processo seletivo, que utilizou a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para o preenchimento de 1150 vagas. O texto informou ainda que o “Pará apresentou o maior número de inscritos por estado com 17.365 inscritos”. Na ocasião, o Pró-Reitor de Ensino, Prof. Dr. Rodrigo Ramalho, depois de ressaltar que 98,74% eram candidatos do estado do Pará, prosseguiu afirmando que “estamos construindo uma universidade federal voltada para atender às demandas de desenvolvimento regional”. Está se vendo...!
            Contudo, diante do não comparecimento da maioria absoluta dos calouros na primeira convocação, forjou-se a explicação de que isto já estava previsto e que o não comparecimento se deve ao fato de a maioria dos aprovados serem de fora do Estado e, por conta disso, fizeram outras escolhas. Daí já estarmos em uma quinta lista de convocação e vagas continuam sobrando. E não estamos falando de uma instituição privada de ensino superior, sim de uma FEDERAL... Mas tudo está em conformidade com a lógica de um discurso para cada ocasião.
            Este resultado desastroso para a UFOPA já a muito tinha sido anunciado, mas não por eles, como se percebe nas avaliações citadas acima. Estudantes e professores doutores e mestres, muitos formados em centros de excelência na Amazônia e no Brasil, posicionaram-se com muitas reservas em relação ao “Modelo Acadêmico” proposto pelos Gestores da UFOPA. Mas todos contrários, de imediato, foram publicamente desqualificados como “ultrapassados, radicais, loucos”. Muito se fez no sentido de chamar a atenção dos Gestores Nomeados para o quanto este Modelo Acadêmico estava (e continua estando) na contramão da História e que não atende às demandas do mundo contemporâneo que EXIGE formações disciplinares sólidas para um profícuo e eficaz diálogo interdisciplinar. 
             E agora? Vejam o que fizeram com a nossa UFOPA, com nossos projetos profissionais e acadêmicos, com o futuro de jovens estudantes. Jogaram o nome da UFOPA no descrédito, desmoralização perante a Sociedade. BASTA! Temos que defender o nome da Instituição. QUEREMOS NOSSOS SONHOS DE VOLTA. A construção de uma VERDADEIRA UNIVERSIDADE: formação sólida, de qualidade (ensino, pesquisa e extensão) pública, proba, ética, responsável, verdadeiramente integrada às reais necessidades regionais de sua população, que respeite a vontade dos educandos/das, dos povos da Amazônia. 
            CHEGA de discursos com idéias pseudo-científicas e pseudo-pedagógicas que ainda sustentam um pensamento nefasto de que os Amazônidas não possuem conhecimento e que aceitam qualquer Projeto mirabolante. Não! Os jovens, a sociedade e povos da região já deram sua resposta, afinal, sua história de luta por uma vida digna e por respeito aos seus conhecimentos é secular, milenar e sabem muito bem identificar um discurso colonizador. Não vamos nos esquecer de CUIPIRANGA, foi bem aqui do outro lado do rio! Sua memória ainda ecoa no meio da mata e entre as águas do Tapajós. Somos os Novos Cabanos!
 
ESSE MANIFESTO TRADUZ TODA A NOSSA INDIGNAÇÃO. CHEGA DE TANTA DESMORALIZAÇÃO DA UFOPA!  QUEREMOS UMA UNIVERSIDADE QUE NÃO SIRVA APENAS PARA ALIMENTAR ENGANOSAS ESTATÍSTICAS GOVERNAMENTAIS! LIVRE DOS INTERESSES IMEDIATISTAS DO MERCADO, DO DISCURSO NEOLIBERAL E DO CAPITAL PRIVADO! LIVRE DO AUTORITARISMO E DAS HISTÓRICAS ESTRATÉGIAS DE IMPOSIÇÃO DE PROJETOS EXPERIMENTAIS IMPLANTADOS DE “CIMA PARA BAIXO”!     
QUEREMOS PARTICIPAR DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA, GRATUITA, DE QUALIDADE E PARA TODOS! QUEREMOS NOSSO SONHO DE VOLTA!

Santarém, 01 de março de 2011

Fonte: http://movimentoufopalivre.blogspot.com/

UNIVERSIDADE FUTUROLOGISTA OPERACIONAL DO PARÁ – UFOPA

Gilson Costa[1]

Nada como o mundo real. Nada como a vida real. Para mostrar a realidade, realmente, para quem não quer ver (redundante, propositalmente). Segue uma pequena reflexão. Não se aborreça, prometo ao leitor ou leitora que ao final irá ter um momento de riso, relaxar. Primeiro.
Leitor, leitora, preste atenção: Não é qualquer Universidade, uma dessas UNIESQUINAS da vida, que está “mendigando” calouros/as para preencher suas vagas 2011. Não, é uma FEDERAL! PÚBLICA! Porém, “INOVADORA!?” Inovadora que o desastre está aí. Avisamos...

Os calouros e suas famílias, obviamente, estão preferindo se inscrever na UEPA, e nas particulares, por quê? Além da bolsa, têm certeza que sairão de lá com uma FORMAÇÃO PROFISSIONAL, em ALGUMA PROFISSÃO (novamente redundante, propositalmente), de qualidade ou não, pode até ser questionável, mas diante da UFOPA que temos, tenho cá minhas “dúvidas”. As famílias e seus calouros/as querem ter um razoável grau de certeza, normalmente somos conservadores. Portanto, desejam que os seus saiam com um diploma em uma formação que tem validação no mercado de trabalho. NÃO QUEREM AVENTURAR, passar cinco anos para sair com uma deformação transgênica pseudo-interdisciplinar, um diploma que indica que saiu da UFOPA com uma possível resposta, honesta, a quem perguntar sobre sua formação/profissão: "sou formado em alguma coisa, parecido com algo qualquer, que me preparou pra qualquer coisa, inclusive pra ser o que eu não sei o que sou mesmo!" Ao terminarem seus cursos, nossos meninos e meninas vão entrar em crise, bem, os que resolveram entrar nessa aventura e seguirem até o final. Outra opção, que se diga, para os/as/ calouros/as, suas famílias e nós docentes e técnicos, será se juntar e avançar na proposta de uma projeto, programa, ALTERNATIVO:  A universidade que queremos.   

Caros, sinceramente, os estudantes e suas famílias são coerentes, as elites ricas, e principalmente, os trabalhadores, não podem se dar o luxo, diante da gigante crise econômica que se avizinha (incluindo a resolução do Governo Federal de cortar R$ 50 Bilhões no OGU de 2011, suspensão de concursos, novas contratações e editais, etc.), arriscar a formação e a vida futura de seus filhos e filhas. Ninguém quer ser objeto de laboratório, grupos de cobaias, fazer parte de experiência menguelista, pseudo-educacional. Eu, professor dessa universidade, UFOPA – que bem poderia ser chamada de UNIVERSIDADE FUTUROLOGISTA OPERACIONAL DO PA – UFOPA, não indiquei a UNIVERSIDADE FUTUROLOGISTA OPERACIONAL DO PARÁ, ao meu filho, ele passou no vestibular 2011 da UFPA, em Belém.

Ninguém, de fato, sabendo qual é o projeto de formação que lhe espera, nem uma família sã, vai querer essa mistura – rala-salada-maníaca de áreas disciplinares, profissões, ciências, que possuem status, categorias, objetos, marcos científicos, bem distintos e/ou em elevado grau de distinções entre si. É preciso, necessário, fundamental, lógico, uma formação específica e integral, que seja universal, porém que aprimore o indivíduo, nossos jovens, em uma formação específica, concretamente, para ir disputar uma vaga real no mercado real de trabalho. Pronto.

As pessoas reais, na vida real, vivem como ela é de fato, portanto, querem um diploma que permita se inscreverem em suas respectivas ordens/conselhos/categorias/sindicatos/associações profissionais... Objetivam fazer concursos e trabalhar como: ADVOGADOS, PEDAGOGOS, HISTORIADORES, MATEMÁTICOS, FÍSICOS, BIÓLOGOS, QUÍMICOS, LINGUISTAS, FILÓSOFOS, ENGENHEIROS, GEÓGRAFOS, ANALISTAS DE SISTEMAS, etc., porém, com uma formação geral, universal, culta, que lhes permitam viver e ter o prazer de dialogar com distintas formações, culturas, modus operandis da e na vida moderna, com tudo que se exige para assumir uma posição profissional, social, econômica, política, filosófica, etc. Esse modelo acadêmico da UFOPA, não é interdisciplinar, sim uma fraude, uma aberração, no mínimo um grande equívoco inexplicável!
 Por que será que a UFOPA, não conseguiu preencher suas míseras 1.200 vagas em cinco chamadas? SERÁ QUE A ELITE, E TODO MUNDO ESTÁ ASSUSTADO COM O MONSTRO QUE ELES CRIARAM? Olha o desespero dos mentores do monstro. Pensam que as pessoas são tolas? Não, os amazônidas, caboclos/as, são muito sábios, vivem aqui, VIVEM, MORAM. E os que adotaram essa região pra viver, trabalhar, ser feliz, também não são nada imbecis. Não!

A direção da UFOPA vai ter que recuar, rever o projeto deles, abrir diálogos conosco, a comunidade acadêmica, os movimentos sociais, a sociedade da região. A  vida social se faz de forma coletiva, não se pode, nunca, querer impor um projeto de universidade com tamanho grau de risco, incerteza, laboratório aberto, e dizer com isso que é "inovação educacional", etc.  A USP, UNICAMP, UFPA, UFMG, UFRJ, UNB... HARVARD, BERLIN, BONN, PARIS, CALIFORNIA, SORBONNE, PRINCETON, LISBOA, QUEBEC, CUNY, MADRI, BARCELONA, etc., não são assim. Se as melhores e maiores UNIVERSIDADES do país e do mundo, NÃO SÃO UFOPIANAS, porque justamente nós, os povos da Amazônia e os que estão aqui e vieram para construir suas vidas e a região, mais uma vez, vamos ter que “sustentar”, “agüentar”, “vivenciar” esse modelo esdrúxulo: menguelista-pseudo-educacional?! Não somos cobaias intelectuais para quem vem nos colonizar! Existem, ao menos, três excelentes centros na Amazônia, que já possuem tecnologias mais que testadas para nossas realidades (NAEA, INPA, GOELDI), não precisamos dos velhos de Brasília pra nos ensinar. Ademais, estamos há 12 mil anos por essas bandas! Arqueologia está chegando perto de descobrir que talvez mais!

Iremos “aceitar”, novamente, os projetos mais mirabolantes, destrutivos social, econômica, cultural e ambientalmente para e na Amazônia? Já não nos bastavam/bastaram às experiências de “desenvolvimento” do “progresso” das “inovações” via “Aliança para o Progresso”, os Programas e Projetos como PND, PIN, desde os resultados e financiamentos da SUDAM, BASA e BNDES que datam da era militar e/ou antes? Não se lembram dos estragos, do ponto de vista social, econômico, cultural, ambiental? Projetos materializados na Transamazônica, Carajás, Serra Pelada, UHT, BALBINA, JARI, etc., por exemplos? E agora com o fabuloso PAC I e PAC II, do Governo Lula/Dilma: Belo Monte, Complexo Hidrelétrico do Tapajós-Arapiuns-Jamanxin, BR-163, IIRSA e Pólo Agropecuário, Concessões Florestais Públicas (leia-se: destruição, entrega do patrimônio dos amazônidas às madeireiras!), todas as demais intervenções desde Brasília? Melhor, do Banco Mundial, do Fórum de Davos, da OMC, do FMI, megas-multis-transnacionais, incluindo, “nossas” “queridas” Vale, MRN, Cargill, Alcoa?

Então, a UFOPA, é só mais uma Universidade Operacional Futurologista. Criada no Oeste do Pará para a demanda do “futuro” (sim, há pessoas videntes, cartomantes na UFOPA, “cientistas-futorologistas”, com publicação e tudo, acredita?! Capazes de se orgulhar disso). Sim, no presente, já sabemos que esta é uma fronteira aberta a gana do capital, da burguesia e seus sócios, aqui está em curso um franco processo de faroestização! Está nítida para nosso povo a exploração: as mineradoras estão aí, as madeireiras, as hidrelétricas, os sojeiros, etc.

Bem, porque reclamar disso? Bem, essa é a realidade, e nem pra essa realidade presente, de um capitalismo tosco, grosseiro, rudimentar, indústrias de pequena ponta tecnológica, etc., a UFOPA, com a atual Estrutura Acadêmica serve melhor ao próprio capital. É lamentável que nem aos seus adestramentos previsíveis, melhor o fazem aos nossos jovens trabalhadores da Amazônia, nestes tempos de “tudo pós”, era “pós-fordismo” (mas nem tanto, aqui principalmente, onde ainda há inclusive trabalho escravo – coisa pré-capitalista!), “pós-toyotismo” (muito menos, esse sim, se aqui nem bem capitalista é na íntegra, há apenas alguns “enclaves” industriais e rudimentos de capitalismo-escravista, etc.). A quê/quem mesmo serve?!  

Bom, não vamos tirar todos os “méritos”. Tudo o que esse modelo acadêmico imposto na atual UFOPA, quer de fato, construir um ser super-hiper-alienado. Onde educandos/as, devem ser adestrados para caber no exato modelo para o mundo do “novo industrialismo”, que requer a reestruturação produtiva do capital, assentada na tecnologia informacional, compulsão informacional, no modelo biotecnológico, seja mega e/ou nano, mercadológico, galopante, trabalhador-multifuncional, no modelo “pós-humano”, que precisa cada vez mais devorar os homens (proletários), e os recursos naturais, os ecossistemas e todo o conjunto da biosfera e destruir mortalmente os ciclos biogeoquímicos e climatológicos do planeta. Mas, incrível, nem isso eles estão conseguindo, realmente. Pois, os dados mostram que nosso povo não é tolo, que os/as calouro/as não se inscreveram e/ou os que entraram, logo perceberão onde caíram.
Pensemos sobre isso, o que está em jogo é mais do que nossos empregos, nossas vagas, novas vagas, novas possibilidades para a juventude, nossa universidade, muito mais do que a aparente superfície nos mostra agora, mais nitidamente aqui no Oeste do Pará, na UFOPA. Óbvio que temos e devemos defender nosso direito ao trabalho, emprego, remuneração justa, concursos novos, mais vagas, etc. Mas só conseguiremos organizados, lutando juntos. Devemos sim, nos organizar ainda mais, lutar ainda mais, juntos com outros movimentos e povos, entidades, companheiros/as, e/ou então poderemos sucumbir junto com essa avalanche desmoralizante que a burguesia, através de seus articulistas, capachos, traidores... Nos impuseram, desde Brasília. Ainda mais virá, e de forma mais destrutiva sobre nossas vidas, nossas esperanças. Mas de fato, o que de forma mais imediata nos cabe lutar, é defender: uma UNIVERSIDADE DE VERDADE, que atenda concretamente à Amazônia, seus povos, e interesses, que fatalmente estão ligados às nossas vidas, de outros e outras, nossos sonhos.
Um último registro, não somos contra a interdisciplinaridade, sim essa pseudo-interdisciplinaridade que aí está, particularmente encravada no CFI, que se arroga ser o lócus, mater, inicial e fundamental para se introduzir, exercitar, tal mal fadado modelo Frankenstein.

Quer saber, de verdade? A juventude tem que agarrar em suas mãos e sacudir essa História! Pois, como bem lembra o poeta Maiakovski: “O tempo é roído por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias cabem a ti, JUVENTUDE, SACUDÍ-LAS.”


[1] Engenheiro Agrônomo, Cientista Social, Eco-economista. Especialista em Desenvolvimento de Áreas Amazônicas, mestre em Planejamento do Desenvolvimento e doutor em Ciências - Desenvolvimento Socioambiental (UFRA/UFPA/NAEA). Educador, pesquisador e lutador social – Pertence ao quadro de professores do Instituto de Ciências da Sociedade – ICS/UFOPA – Santarém – Pará/Amazônia/Brasil.

Circuito de Seminários e Debates

Acontecerá mais um módulo do circuito de seminários e debates da UES e o Outra Frequência estará repassando mais informações assim que forem saindo no blog da mesma: http://uesantarem.blogspot.com.
Já sabemos que será no Auditório do Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), nos dias 13 e 14 de abril de 2011, o 3º módulo do I Circuito Universitário de Seminários e Debates, uma realização que abrange eventos em várias instituição de ensino superior de Santarém.
O 1º módulo do Circuito ocorreu em março de 2010 no CEULS/ULBRA e teve como tema A Universidade e seu papel na sociedade contemporânea; a 2ª edição (agosto de 2010) teve como local a UEPA e abordou A Universidade e os movimentos sociais.
O foco do terceiro módulo será a democratização dos meios de comunicação. A proposta é debater questões como o marco regulatório da mídia no Brasil e as alternativas de comunicação frente ao monopólio das grandes empresas.
Serão convidados para discutir o assunto o jornalista Lúcio Flávio Pinto, o professor universitário Paulo Lima, o representante do Intervozes no Pará, Sr Marcos Urupá, e representantes das empresas de comunicação do estado, dentre outros acadêmicos e profissionais ligados à área da Comunicação Social.
Além da diretoria da UES, participam da comissão organizadora do evento estudantes do curso de Jornalismo do IESPES.

Sobre o "novo" modelo acadêmico da UFOPA

Com um atraso de muitos e muitos dias, mas que não poderia deixar de ser postado no Outra Frequência o ótimo texto do companheiro Ib sobre o "novo" modelo acadêmico da UFOPA, que rendeu muitos comentários no blog do Jeso.

Modelo acadêmico da UFOPA: sucesso ou tragédia?

Por Ib Sales Tapajós
Ao término do dia de ontem (09 de fevereiro de 2011), um resultado desolador incomodava (e muito!) os dirigentes da recém criada Universidade Federal do Oeste do Pará: das 1.150 vagas ofertadas no primeiro processo seletivo da instituição*, apenas 25% delas foram preenchidas na habilitação - ato que precede a matrícula numa Universidade pública.
Esse resultado pífio contrasta com as manifestações ufanistas da Administração Superior da UFOPA quando da divulgação do total de inscritos para o processo seletivo 2011: 17.585 candidatos. Um número deveras elevado, que foi utilizado como argumento para defender o “sucesso” do modelo acadêmico “inovador” implementado unilateralmente pela gestão do reitor pró-tempore José Seixas Lourenço.
Veja-se nesse sentido o discurso do Prof. Rodrigo Ramalho, pró-reitor de ensino da UFOPA: “Estamos muito felizes com esse resultado. Superou todas as nossas expectativas, pois esperávamos por volta de 10 mil inscritos. Isso mostra que a Universidade já inicia tendo boa aceitação entre os estudantes, pois esses 17.585 inscreveram-se na UFOPA e não em um curso específico” (Jornal da UFOPA, Edição de Lançamento, dezembro de 2010, página 4).
Ocorre que o pequeno número de habilitados nos força a questionar o “sucesso” da estrutura acadêmica da Universidade. Tudo bem, serão realizadas outras chamadas para habilitação, na famosa “repescagem” (ainda não se sabe quantas). É possível inclusive que as 1.150 vagas sejam preenchidas. E espero que assim o seja. No entanto, no atual momento, é fundamental haver crítica e autocrítica sobre a forma como a UFOPA vem dando seus primeiros passos. Apesar de a Reitoria do Sr. Seixas não estar efetivamente aberta ao diálogo, um debate sério precisa ser travado na comunidade acadêmica e na sociedade do oeste do Pará: o atual modelo acadêmico é realmente o que queremos e precisamos?
Ao contrário do que afirma o pró-reitor de ensino, o número de inscritos no processo seletivo não guarda correspondência com a aceitação da estrutura acadêmica da UFOPA**. Prova disso é que muitos dos inscritos sequer entendiam como se dará na prática o funcionamento desse modelo. As dúvidas são constantes inclusive entre os calouros habilitados. Não foram raros os casos de estudantes recém-aprovados que indagavam pelos corredores o que teriam de fazer para chegar ao curso que desejavam.
E muitos dos que passaram a entender o funcionamento da estrutura acadêmica da UFOPA desistiram de ingressar na instituição. Isso porque compreenderam que teriam de passar por mais dois processos de disputa de vagas dentro da própria Universidade para poder chegar ao curso almejado.
Para ser mais claro: se o candidato X é aprovado na UFOPA e no mesmo período consegue bolsa integral numa instituição privada através do PROUNI, ele tenderá a optar por esta última, uma vez que, na UFOPA, a vaga no curso almejado não estaria garantida. O mesmo raciocínio é perfeitamente cabível para o estudante que obteve sucesso no processo seletivo da UFOPA e no de outra universidade, federal ou estadual.
E qual o motivo dessa “fuga”? Medo do “novo”? Com certeza não. A causa central é a competição dentro da Universidade. O estudante que deseja ingressar no ensino superior precisa de um grande período de preparação, tanto para os vestibulares quanto para o ENEM. Período que, via de regra, é desgastante, estressante e, para alguns, até traumático. O grande problema é que na UFOPA há um “vestibular” prolongado, que se dá na passagem do CFI para o instituto e na passagem deste para o curso de graduação. Nem todos estão dispostos a passar por isso novamente. Por isso a UFOPA é a última opção de boa parte dos vestibulandos.
Diante dessa realidade inquestionável, os dirigentes da nossa Universidade do Oeste insistem no discurso da “meritocracia”, afirmando que a competição é importante e saudável. Pode até ser, mas na lógica do mercado, e não na lógica de uma universidade pública federal. Nesta, o objetivo central é a produção e difusão de um conhecimento crítico e voltado para o atendimento das necessidades da população. Os acadêmicos têm de ser colegas, e não adversários; precisam caminhar juntos na construção do conhecimento, e não ficar disputando quem vai tirar a melhor nota – infelizmente é isto que vai ocorrer com o atual modelo acadêmico-curricular. A lógica “meritocrática” aplicada na Universidade terá, indubitavelmente, um efeito catastrófico.
Outro fator que contribuiu para a não-habilitação de muitos candidatos aprovados é a ausência de uma política séria de assistência estudantil. Muitos dos aprovados são de outras cidades do Pará e, para estudarem na UFOPA, precisariam de recursos que hoje não são disponibilizados pela Universidade. Não temos um Restaurante Universitário (RU) e nem uma moradia estudantil (Casa do Estudante). Dessa forma, o estudante proveniente de outro município, cuja família não possuir renda considerável para mantê-lo em Santarém, fica impossibilitado de desenvolver seus estudos na UFOPA.
Tivemos conhecimento do caso de alguns estudantes que, ao serem aprovados na UFOPA, vieram para Santarém acreditando que a Universidade lhes daria um suporte material mínimo. Após conhecerem a realidade, acabaram desistindo e voltando para suas cidades de origem. Essa situação é triste e deveria receber atenção especial dos dirigentes da Universidade. Entretanto, a atual concepção de expansão do ensino superior adotada pelo Governo Federal, e defendida pela Reitoria da UFOPA, privilegia a quantidade de vagas criadas, em detrimento da qualidade. Em outras palavras, a expansão acontece de qualquer jeito, sem se garantir a estrutura e os recursos necessários para as vagas ofertadas.
Diante de todo esse cenário, a conclusão a que se chega é que muita coisa precisa ser repensada na UFOPA. Em especial a estrutura acadêmica, que tem de ser debatida democraticamente com a comunidade acadêmica e com a sociedade em geral. O atual sistema autocrático de gestão da Universidade, em que o Reitor decide sobre tudo e sobre todos, dá sinais claros de falência e precisa urgentemente ser substituído por um sistema democrático e participativo, onde todos tenham voz e vez e possam contribuir na definição dos rumos da instituição.
Caso contrário, estaremos desperdiçando o enorme potencial da Universidade Federal do Oeste do Pará. E é muito fácil prever as conseqüências negativas disso, já que a UFOPA é o principal projeto de desenvolvimento social em execução na região nos últimos anos. Mas para que ela efetivamente cumpra seu papel protagonista na região, muita coisa precisa mudar. Eis o nosso grande desafio: (re) construir uma Universidade no interior da Amazônia.
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Ib Sales Tapajós é acadêmico de Direito da UFOPA, militante do coletivo estudantil Romper o Dia! e coordenador geral da União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES).
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* Além das 1150 vagas ofertadas no processo seletivo 2011, que utilizou as notas do ENEM, foram reservadas 50 vagas para candidatos indígenas, a serem preenchidas através de processo seletivo especial.
** Na estrutura acadêmica da UFOPA, o estudante ingressa inicialmente no ciclo de formação interdisciplinar, com disciplinas comuns a todos os 1.200 alunos; posteriormente, segue para algum instituto; e por fim chega num curso de graduação. É importante destacar que haverá uma competição interna para se passar de uma fase à outra: os acadêmicos serão classificados de acordo com o índice de desempenho acadêmico (IDA) que atingirem.

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