segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ventania- Cama de micróbio

Cama de Micróbio - Ventania

Cama de Micróbio é caixa de papelão
Cama de Playboy é de almofada e algodão
Agora pega a tua caixa e vamos lá pro mocó
Que fica de quebrada duma casa abandonada

Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbioooooooo

Micróbio que se presa vive a vida a rodar
Fazendo do planeta tua sala de estar
Micróbio é um bicho doido de cabelo embaraçado
Tira férias o ano inteiro, vive todo preocupado

Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbioooooooo

Micróbio é paz e amor com muita alegria
Com satisfação dá uma bola todo dia
Corta a seda que eu enrolo
Tá na hora de você dá uma bola micróbio

Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbio não tem medo de nada
Micróbiooooooooooo



http://www.vagalume.com.br/ventania/cama-de-microbio.html#ixzz1cO7KI1uE


Composição: Ventania

Mulheres encarceradas pelo tráfico: a modernização do arcaico

imagem: muher presa na Penintenciária Feminina de Santana, São Paulo.
 
O tráfico de drogas vem se constituindo, na visão de estudiosos do tema, como uma economia criminal urbana, gerando, longe do alcance da lei, a comercialização de mercadorias e serviços às trevas da clandestinidade e das regras de “mercado”. Nessa dinâmica, o Estado desenvolve função dúbia, quando por um lado realiza atos coercitivos amparado por seus instrumentos legais penais e por outro, recolhe lucros de práticas de extorsão, corrupção e retenção de excedentes advindos dos vultosos investimentos na segurança dos negócios (como contrabando de armas, por exemplo). Verifica-se que o Estado Brasileiro, em sua ambigüidade funcional, quando do enquadramento de substâncias psicotrópicas à ilegalidade, pune grupos seletos envolvidos com a atividade criminosa e obtém lucro ilícito por meio desses “mercados negros”, mostrando claros interesses da máquina burocrática na manutenção dessa “ordem”.

No tocante a esses grupos a quem a punição é direcionada, a despeito das cifras indizíveis que fomentam esta economia, importante observar que tal atividade, vestida pelo manto da ilegalidade, é conduzida por indivíduos que vem a ser alvo da repressão estabelecida pelas ingerências estatais. Quem são esses indivíduos? Porque se envolvem/envolveram com o tráfico de drogas?

Trata-se de indivíduos pobres, principalmente mulheres - duplamente vulneráveis - que se converteram na principal mão de obra destes procedimentos ilegais. Nos últimos anos, houve intenso recrutamento de mulheres, jovens, a maioria de mães solteiras, para o desempenho de atividades de baixo-escalão na cadeia do tráfico de drogas. Nessa dinâmica, as mulheres raramente ocupam um papel administrativo, concentrando-se nos pólos mais atingíveis, encarregando-se de tarefas mecânicas como embrulhar e armazenar, estabelecendo-se em ambientes mais privados ou assumindo o papel de “mula”, personagem incumbida do transporte de drogas para dentro de presídios ou outros lugares.

Embora a lei de drogas (Nº 11.343/06) estabeleça em seu artigo 33 uma série de atos tipificados como criminosos, são os setores de ação na cadeia do tráfico ocupados por pessoas pobres e, mais diretamente, por mulheres - colocadas na ponta dessas atividades, como reflexo de sua fragilidade econômica e social – os que mais sofrem os efeitos da coerção estatal. Denota-se, assim, que o recrutamento para o tráfico e o encarceramento de mulheres encontram suas convergências sociais, materializando-se em expressão das forças econômicas e das relações patriarcais vigentes em nossos dias.

Importa ressaltar que as situações de vulnerabilidade econômica e social a que as mulheres historicamente estão submetidas são reproduzidas na micro-realidade do tráfico de drogas. A lógica aí desenvolvida é verdadeira vitrine das relações sociais postas, baseadas na centralidade do poder masculino. Não há coincidência no aumento significativo do aprisionamento de mulheres com a intensificação da repressão às drogas, mas uma resultante da divisão sexual do trabalho que reverencia o homem e sua posição social privilegiada e que obriga milhares de mulheres à sujeição a atividades precárias, degradantes e repreensíveis, inclusive do ponto de vista penal.

Isso porque a categorização de uma conduta como crime é uma decisão política, fundamentada pelos interesses dos grupos investidos de poder para tal decisão, visando o extermínio de determinadas pessoas do convívio social. Assim, direito e sistema penais, como instrumentos de controle social, são a materialização dessas decisões políticas, revestindo-se de legitimidade a barbárie derivada do jus puniendi estatal. Frise-se que, ideologicamente, o Estado garantidor da ordem e da paz social precisa dar resultados eficazes da sua atuação. Assim, por meio da polícia, intensifica a repressão às substâncias ilícitas agindo com maior incidência no momento de maior exposição do tráfico: o transporte. Ter-se-ia, assim, respostas concretas e positivas à política de combate às drogas, a “garota-propaganda” da efetividade estatal.

Diante da estreita relação entre machismo/patriarcado e criminalização da pobreza através da ilegalidade atribuída às drogas, visíveis são as raízes criminológicas, históricas e sociais que explicam a natureza de grande porcentagem das mulheres presas, fundadas no machismo reinante e na promiscuidade estatal de comprometimento com o capital sócio-cultural hegemônico.
 

Jornal A Poronga - CPT/Santarém

Confiram o Jornal A Poronga da CPT diocese de Santarém:

Ocupação de Belo Monte e bloqueio da Transamazônica: dia histórico para a luta em defesa do rio Xingu e dos povos da Amazônia

Por Priscila Duque

Priscila Duque
Detalhe da ocupação das obras de Belo Monte
O principal desdobramento do Seminário Internacional em Defesa do Rio Xingu foi a ocupação do canteiro de obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizado na comunidade de Santo Antônio, em Vitória do Xingu, município próximo a Altamira, e o bloqueio da Rodovia Transamazônica, no mesmo perímetro. A ação foi deliberada pelos povos indígenas na quarta-feira, 26 de outubro, segundo dia de seminário, e apoiada pelas entidades e ativistas do Comitê Xingu Vivo para Sempre.

A quinta-feira, 27, acordou cedo. Desde as 3h da madrugada a militância estava de pé, concentrando-se na orla de Altamira, aguardando a organização dos ônibus para seguir ao canteiro de Santo Antônio. Diversas entidades, coletivos e ativistas aglomeravam-se em volta dos ônibus. Estavam presentes a CSP-Conlutas, ANEL P´Dégua, Unidos pra Lutar, Juntos, CIMI, CPT, entre outras. Por volta das 5h30 os ônibus estacionaram próximo ao canteiro e os mais de 600 manifestantes desceram e marcharam. Às 6h da manhã a Rodovia Transamazônica e a entrada do canteiro já estavam bloqueadas.

As bandeiras, faixas e palavras de ordem saudaram aquele grande dia de luta. Os ativistas cantavam “embarca na luta, embarca, molha o pé, mas não molha a meia, embarca, na luta, embarca, molha o pé, mas não molha a meia. Não venha lá de Brasília fazer barragem na terra alheia, não venha lá de Brasília fazer barragem na terra alheia!” . E deram o recado a Dilma “oh, oh, oh Dilma, nós te avisamos, nós viemos e ocupamos”.

Em poucas horas o local já estava repleto de veículos de comunicação. O congestionamento na rodovia crescia, e não demorou para que o aparelho repressivo aparecesse para tentar intimidar a manifestação. A Polícia Rodoviária Federal permaneceu por lá durante todo o dia, monitorando cada ação, de armas à postos. Mas nem o ativismo, nem os povos indígenas se importaram com os olhos do Estado.

Durante o dia inteiro a manifestação ficou dividida em duas, por questões práticas, já que era necessário garantir o fechamento do canteiro e o bloqueio da transamazônica. As tribos indígenas além de estarem a postos para a luta, não deixaram de mostrar sua cultura: passaram o dia todo alternando rituais de canto e de dança.

Esse foi só um aviso

A ocupação terminou no início da noite, em torno de 19h30, após a realização de uma assembleia que fez um breve balanço da ocupação, discutiu o mandado de reintegração de posse – emitido pela juíza Cristina Collyer Damásio, da 4ª Vara Cível da Comarca de Altamira (PA) –, ressaltando que o ativismo estaria com os índios, se eles decidissem ficar, todos ficariam.

Os indígenas optaram por desocupar e os movimentos acataram a decisão, por entenderem que a ocupação já havia sido vitoriosa, por sua repercussão internacional, pela unidade e pela força de uma manifestação deste porte.

O Comitê Xingu Vivo acredita que o objetivo foi alcançado, pois a luta contra ‘Belo Monstro’ saiu fortalecida depois do seminário e da ocupação. Agora é aproveitar esse gás e seguir mobilizando para tornar o movimento cada vez mais forte, até barrar a construção da Usina. A assembleia foi encerrada com a seguinte palavra de ordem “esse foi só um aviso pra vocês, se for preciso ocuparemos outra vez”.

Um dia que ficará na história

O dia 27 de outubro foi histórico para a luta contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, pois foi o dia em que os povos indígenas, os nativos e os movimentos sociais mostraram para o governo Dilma que não será fácil destruir a vida no Xingu. Foi o dia em que o ativismo não recuou por medo da repressão e caminhou sem titubear. A ação deixou claro que só com unidade a luta se torna mais forte e com maior capacidade para vitória.

Fora ‘Belo Monstro’! Viva o rio Xingu e os povos tradicionais da Amazônia. Em defesa da vida e contra a voracidade do capital. E defesa da vida, somos todos contra a Usina de Belo Monte!

Fonte: http://www.pstu.org.br/

O canto de resistência dos povos indígenas – Seminário Mundial contra Belo Monte



O recado da Floresta - Na abertura do Seminário Mundial contra Belo Monte, o canto de resistência dos povos indígenas: UMA CONVOCAÇÃO À LUTA EM DEFESA DA FLORESTA, DOS RIOS E DA VIDA.

Kaiapó, Assurini/PA e TO, Krahô, Guajajara/MA-PA, Apinajés, Xicrin, Juruna, Arara, Amanauê, Guarani, Arawetê, Gavião, Mundurucu, Xipaia, Tupinambá, Tembé, Karajá.

Seminário Mundial contra Belo Monte - 25,26 e 27 de outubro de 2011

Fábrica - Legião Urbana

Fábrica
Legião Urbana

Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez.
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço -
Eu quero um trabalho honesto
Em vez de escravidão.

Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance.

De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?

O céu já foi azul, mas agora é cinza
O que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada de tanto brincar com fogo,
Que venha o fogo então. Esse ar deixou minha vista cansada,
Nada demais.




Composição: Renato Russo

domingo, 30 de outubro de 2011

O capital está acuado

“O concreto é concreto porque é a síntese de múltiplas determinações, portanto unidade da diversidade” (Karl Marx – Grundrisse)

Por Ari de Oliveira Zenha


O capitalismo encontra-se em um impasse gigantesco diante da crise profunda, estrutural, que vive desde a eclosão em 2008. É a maior e mais aguda crise desde a de 1929, que acabou desembocando na segunda guerra mundial. Hoje, uma saída deste teor levaria à destruição do planeta.

Não devemos menosprezar a capacidade do capital de “superar” – a um custo elevadíssimo para a população mundial – os prováveis “transformismos” que o capitalismo como sistema hegemônico tem realizado há pelo menos dois séculos, impondo ao mundo sua dominação, sua influência e seu controle opressor soberano sobre o planeta.

Estão surgindo em praticamente todo o mundo movimentos populares que atuam no sentido – de questionar o próprio sistema capitalista em sua totalidade. A ocupação de Wall Street, centro nevrálgico financeiro do mundo e do capital hegemônico mundial – os Estados Unidos da América – com cartazes e palavras de ordem que colocam em xeque o capital com toda a sua superestrutura e estrutura de dominação, exploração e reprodução política- econômico- social. A Europa convulsionada.

No Oriente Médio também está sob fogo cerrado o domínio do capital. Querem democracia, querem direitos fundamentais, querem participação, querem liberdade, querem justiça social. Ditaduras com décadas de dominação estão caindo ou seus detentores estão entregando os anéis para se salvar da avalanche popular. Enfim o céu não é de brigadeiro para o capitalismo, mas sim um imenso nevoeiro que paira sobre seu domínio há bem pouco tempo inimaginável, há uma hemorragia, um esgotamento que atinge as vísceras do capital.

Os organismos internacionais, como o FMI, estão sendo questionados, e, indo mais além, o próprio sistema está sendo discutido, posto em dúvida sua validade como sistema produtivo-social-político. Não devemos esquecer que no capitalismo as contradições e suas repercussões no mundo se dão de forma desigual, porém combinada, ou seja, todos pagarão, uns mais, outros menos, mas todos hão de pagar a conta da degradação e da barbárie que o capitalismo se apresenta neste início de século que promete ser o século das grandes transformações sociais, das grandes transformações de caráter estruturais e porque não revolucionárias!

O momento atual nos impele a ousar, esta é a palavra ou expressão mais válida para o momento histórico que vivemos. Ousar, ir além dos limites impostos pela dominação do capital, pressionar, romper os limites da exploração do capital e trazer o ser humano para o seu devido lugar, no seio, no âmago da existência digna em que o homem possa se tornar dono do seu próprio destino, destruindo qualquer tipo de opressão e exploração, onde ele se torna senhor de sua própria existência, o verdadeiro reino da liberdade, da confraternização internacional dos povos, da conformidade em ser para si, estabelecendo no mundo uma sociedade harmônica, humana e fraterna.

Ari de Oliveira Zenha é economista.
Fonte: 

SUS direito e o contradireito


O
SUS foi fruto de uma trajetória de intensa mobilização da sociedade civil por democratizar o País, assegurando direitos sociais universais na Constituição de 1988, onde a ordem social se destacava da ordem econômica. Descentralizado e com uma autoridade única em cada nível de governo, o SUS redesenhou o pacto federativo gerando um modelo de governança baseado em instâncias de pactuação intergovernamental e uma proposta de governabilidade inovadora baseada em conselhos e conferências.

Um pouco mais de duas décadas depois, em um curto período de semanas, vemos nos jornais que os médicos do SUS se encontraram em greve por melhorias salariais e de trabalho condizentes com sua função, as entidades filantrópicas que prestam serviços ao SUS foram denunciadas pela precariedade de instalações e qualidade do atendimento, os profissionais credenciados pelos planos de saúde fizeram paralisações semelhantes ao setor público, a ANS avaliou que 20 milhões de brasileiros têm planos de saúde ruins, a Anvisa foi proibida de fazer audiências públicas para regular o tabagismo, mas permitiu o uso de agrotóxicos proibidos em outros países e o Congresso "ameaça" regulamentar a Emenda Constitucional 29.


São inegáveis os avanços do SUS na ampliação da cobertura, na internacionalmente reconhecida capacidade de realizar imunizações massivas, desenvolver um programa emblemático da aids, enfrentar, dentro da legalidade dos acordos de comércio internacionais as multinacionais produtoras de remédios que se julgam no direito de exacerbar seu poder de precificação, favorecer a produção de genéricos e a distribuição de medicamentos em farmácias populares, chegar até os excluídos com programas de saúde da família, gerar novas formas de regionalização e contratualização na regulamentação recente da Lei Orgânica da Saúde.


Diante de tantos avanços, como entender as reivindicações dos profissionais, os sofrimentos dos pacientes, as queixas dos gestores locais, os desencontros entre o avanço do Samu e a incapacidade de encontrar um lugar na UTI ou mesmo um leito hospitalar?


Discutir se o problema é de falta de financiamento ou incapacidade de gestão, é ignorar a irresponsabilidade da União em cumprir seus compromissos com o financiamento do sistema público e universal de saúde, como se isso não tivesse consequências nas gestões subnacionais, reféns dos recursos repassados pelo nível central, das decisões judiciais, das denúncias da mídia e da sua própria incapacidade. Ao acabar com o arcabouço da seguridade social, especializando as fontes de financiamento, retirando recursos da área social para pagar juros por meio da DRU, eliminando o Conselho da Seguridade, impedindo a convocação da Conferência da Seguridade, aumentando o gasto social apenas para a área contratual da Previdência ou focalizada dos programas de transferência condicionadas de renda, todos os governos da democracia foram artífices dessa situação de precariedade nos sistemas universais de saúde e educação.


A opção política foi subsidiar os setores com maior poder de barganha: isenções para provedores privados, renúncia fiscal dos planos de saúde e educação para a classe média, planos privados de saúde para servidores, ausência de investimentos para gerar uma rede pública capaz de atender à população, financiamentos e subsídios para utilização dos serviços privados, atenção primária de baixa qualidade que não resolve os problemas, mas despacha o paciente, dupla porta de entrada de pacientes junto com a dupla militância de profissionais, falta de ressarcimento por parte dos seguros de pacientes atendidos no SUS, repasse de recursos financeiros, físicos e humanos para gestões privadas, etc.


Os resultados de uma pesquisa que realizamos recentemente pelo Programa de Estudos da Esfera Pública (PEEP), da FGV, demonstram que a precarização dos serviços públicos se manifesta das seguintes formas:


- A aceitação tácita de todos os agentes de que "serviço público é assim mesmo", ou a naturalização da precariedade, na ausência de parâmetros de qualidade explícitos;


- A precariedade para o atendimento adequado permite o aumento do poder discricionário dos profissionais, resultando em situações de discriminação;


- A cultura política brasileira, desde o primeiro escalão presidencial até o atendente hospitalar, privilegia o QI (quem indica) em detrimento da igualdade da cidadania;


- A falta de responsabilidade do sistema com os pacientes provoca a "peregrinação" em busca do cuidado. Na ausência de garantia, o direito se transforma em contradireito, insegurança, sofrimento, humilhação;


- A perspectiva da classe média de que estaria salva com seu plano de saúde começa a ser desmascarada, pois, a precarização do atendimento privado é um sucedâneo do que ocorreu no SUS, já que quem dá o parâmetro da qualidade é sempre o setor público.


Em conclusão, precisamos resgatar os princípios solidários do SUS e exigir um financiamento público condigno com os padrões internacionais de saúde, no qual a União repasse para a saúde 10% do que ela arrecada em impostos, que os Estados não manipulem seus orçamentos incluindo na saúde o que não lhe é próprio e coordenem a atenção regional, que os municípios não apenas comprem ambulâncias para enviar seus pacientes para outras cidades. Há que exigir que o SUS atenda ao interesse público, não se subordinando aos interesses políticos, corporativos e empresariais. Mas, o que precisamos mesmo é exigir responsabilidade dessas autoridades, para que o paciente ao chegar ao sistema seja acolhido, encaminhado, tratado e nunca mais seja obrigado a buscar, em uma ensandecida peregrinação, fazer valer seus direitos constitucionais. Ou morrer no percurso.

Carta programa da Chapa SINDUFOPA CABANO! Por um sindicato de luta!

Esta carta programa da Chapa SINDUFOPA CABANO! Por um sindicato de luta! pretende se constituir em uma chamada pública à mobilização sindical e ao fortalecimento de nosso sindicato em decorrência da precária conjuntura nacional de Ensino Superior e da situação local da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

Conjuntura nacional

No Brasil, a maioria das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) estão passando por um período de reestruturação que está levando à precarização preocupante após efetivação do Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) e adoção governamental, a partir de 2011, de medidas de contenção orçamentária incluindo aqui a suspensão de realização de novos concursos públicos. É a política de expansão sem dar condição, a política da estatística maquiada em vez da qualidade de ensino, uma armadilha governamental com o propósito de melhorar o ranking internacional de educação, situado lá pelo 84º lugar... As novas universidades implantadas são um exemplo disso. Ainda que o plano REUNI expandiu a oferta pública de Ensino Superior com a criação de novas IFES, como à da UFOPA, estas foram efetivadas, porem, sem as adequadas condições infraestruturais e deixando em precárias condições de trabalho aos servidores públicos (técnico-administrativos e professores-pesquisadores), além de impondo “de cima para abaixo” novos modelos de ensino sem o recomendável consenso acadêmico. Uma reforma universitária que, como denuncia o ANDES, “segue uma lógica produtivista mesquinha, pois visa a gerar estatísti­cas positivas compensando a falta de investimentos nas instituições de ensino superior - IES com a pre­carização do trabalho do­cente, tornando o ensino universitário cada vez mais superficial”. Além disso, no contexto trabalhista, destaca-se o debate sobre o salário dos professores, questão não resolvida apesar das mesas de negociação e do último acordo entre sindicatos ANDES e PROIFES e o MEC (26.08.2011). Discussões que incidem em três grandes reivindicações relacionadas com nosso contra-cheque: a) paridade e integralidade entre aposentados e ativos, b) incorporação das gratificações (RT, GEMAS, GEDBT) ao vencimento de forma a garantir remuneração integral e uniforme do trabalho e; c) equiparação da carreira docente com outras semelhantes na administração federal (IPEA, MCT).

Contexto local

De igual forma, a situação trabalhista na UFOPA sustenta ainda mais a necessidade de uma forte mobilização sindical da categoria docente. É um fato que a maioria dos professores concursados não dispõe de salas adequadas de trabalho (uma mesa e estante por professor como mínimo), nos obrigando, muitas vezes, a usar as impressoras, telefones, aparelhos de ar acondicionados e ventiladores de nossas casas para poder continuar produzindo ciência, fazer nossos relatórios, preparar as aulas, corrigir as provas, etc. Preocupante é ver que os novos prédios construídos, por sinal, com uma distribuição espacial e estética mais própria de uma universidade particular, não contempla a habilitação de salas individuais para os professores-pesquisadores, o que nos parece um absurdo e um verdadeiro atraso. Se as condições trabalhistas são precárias, pior é o assédio moral contra aqueles docentes que se opõem ou criticam as atuais diretrizes do modelo acadêmico imposto. Lembremos aqui uma vez mais, que a Universidade sempre foi um espaço de debate, de discussão e de confrontação de ideias e teorias. Por isso, não resta dúvida de que o Modelo deve ser (re)discutido pela comunidade acadêmica, já que temos indícios mais que suficientes de que ele esta comprometendo seriamente a qualidade do ensino superior no interior da Amazônia, assim como as condições de trabalho docente, visto que o atual Modelo, por conta do clima de competição acadêmica que progressivamente se instala na universidade e prejudica a convivência, tem colocado em risco a autonomia didático-pedagógico do(a) professor(a) e promovido explicitamente um processo de padronização da avaliação. Sem desconsiderar também que o próprio modelo intensificou, através de sua proposta de progressão acadêmica, o histórico desprestigio social da carreira de professor(a), como apontam os números de ingresso no ICED, no qual mais da metade das vagas disponíveis não foram preenchidas.

É por considerarmos que estamos diante de visíveis cenários de precarização do trabalho docente, que conclamamos os professores e professoras da UFOPA para se juntarem a nós nesta luta por melhores condições de ensino, pesquisa e extensão e por uma educação pública de qualidade. Precisamos também, paralelamente, fortalecer, consolidar e estruturar o SINDUFOPA – Sindicato dos docentes da Universidade Federal do Oeste do Pará, instrumento fundamental para a garantia e defesa dos direitos. Nessa perspectiva, indo de encontro ao processo de desmobilização instaurado em nossa instituição, construímos a Chapa SINDUFOPA CABANO! Por um Sindicato de luta! por entendermos que é passada a hora de organizarmos na UFOPA um movimento sindical que aglutine professores e professoras interessados em lutar em favor da categoria e por melhores condições de trabalho, assim como dialogue com as demais categorias (estudantes e técnicos) com o objetivo de juntar esforços para a defesa de uma Educação Superior de qualidade.

A seguir, a Chapa SINDUFOPA CABANO! Por um Sindicato de luta! apresenta sua proposta de trabalho aos docentes da UFOPA:

NOSSAS LUTAS REGIONAIS-NACIONAIS (DEMANDAS DO PROGRAMA DO ANDES-SN)

A Chapa SINDUFOPA CABANO! Por um Sindicato de luta! pretende manter o diálogo e a solidariedade sindical com as demais seções-sindicais do Regional Norte II, bem como, no âmbito nacional:

Lutar por condições adequadas para o exercício do trabalho docente, bem como por uma Educação Superior de qualidade e pela garantia da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão;

Defender o caráter público da universidade, sua autonomia institucional e sua função social, bem como o financiamento estável e suficiente para as IFES;

Denunciar o produtivismo científico e a competição individualista no espaço acadêmico;

Lutar pela democratização interna da universidade e pela escolha dos dirigentes pela comunidade universitária em eleições diretas e paritárias;

Combater ao assédio moral no trabalho, causa crescente de doenças físicas e psíquicas, como também denunciar todas as formas de precarização do trabalho docente;

Participar da discussão do plano de reestruturação e unificação das carreiras e cargos do magistério da União, atualmente pauta de negociação entre governo e sindicato nacional;

Lutar pelo estabelecimento de uma política salarial que recupere as perdas históricas da categoria;

Defender 10% do PIB para a Educação Pública.

NOSSAS LUTAS LOCAIS (DEMANDAS DE NOSSA SEÇÃO-SINDICAL)

No âmbito local, a Chapa SINDUFOPA CABANO! Por um Sindicato de luta! priorizará a:

Organização e estruturação do SINDUFOPA, inclusive com ações que possibilitem sua interiorização;

Assinatura de convênio com escritório de Assessoria Jurídica e o SINDUFOPA, para defesa dos interesses dos docentes, frente a questões trabalhistas e de interesse do trabalhador;

Prestação de assistência psico-social aos docentes, assim como a promoção de atividades preventivas de saúde relacionadas com atividade trabalhista;

Garantia de condições de trabalho docente adequadas na UFOPA (em todos os campi), inclusive em programas nacionais que contam com a participação da instituição, como é o caso do PARFOR;

Denuncia das condições precarizantes de trabalho docente, ainda mais intensificadas pelo Modelo Acadêmico (perda de autonomia docente, padronização da avaliação, excessiva carga de trabalho, dentre outras);

Promoção de debates e palestras de interesse da categoria docente;

Aproximação entre o SINDUFOPA e demais categorias (estudantes e técnicos), bem como com os movimentos sociais amazônicos, para uma defesa conjunta da Educação Superior pública e de qualidade;

Desenvolvimento de atividades culturais, artísticas e esportivas;
 
Composição da Chapa SINDUFOPA CABANO! Por um Sindicato de luta!

Presidente: Luiz Fernando de França;

Vice-Presidente: Enilson da Silva Sousa;

Secretário Geral: Amadeu de Farias Cavalcante;

Secretário Adjunto: Miriã Sá Leitão Barbosa

Tesoureiro Geral: Márcia Pires Saraiva;

Tesoureiro Adjunto: Eneias Barbosa Guedes;

Diretor de Interiorização: Ricardo Scoles;

Diretor Adjunto de Interiorização: Maria do Socorro Bergeron Lago;

Diretor de Relações Sindicais: Mario Adones;

Diretor Adjunto de Relações Sindicais: Zair Henrique Santos

Diretor Social: Everaldo Portela;

Diretor Adjunto Social: Everaldo Almeida do Carmo;

Eles bebem. Você paga!

O TCU investiga repasses de dinheiro do governo à UNE. Já descobriu que parte dos recursos foi usada em festas e na compra de uísque, vodca, cerveja... 

Pedro Ladeira/Frame
Voz rouca: Com o patrocínio do governo, hoje os estudantes ligados à UNE promovem manifestações em prol de causas de interesse do patrocinador

Voz rouca
Com o patrocínio do governo, hoje os estudantes ligados à UNE promovem manifestações em prol de causas de interesse do patrocinador

Fundada em 1937, a União Nacional dos Estudantes (UNE) foi protagonista de inúmeros episódios de luta por ideais republicanos. Na década de 40, combateu a influência do fascismo europeu no Brasil. Durante os anos mais trevosos do regime militar, seus principais líderes empunharam armas para reivindicar democracia. Essa gloriosa história pertence ao passado. A moçada agora quer sombra, uísque, gelo e água fresca grátis em troca de servidão automática ao governo. Contestação é coisa de otário. Os líderes da principal entidade estudantil brasileira dissipam sua náusea burguesa com garrafas de vodca, uísque, gelo e caixas de cerveja pagos com nosso dinheiro. Compram tênis e bolsas Puma, Nike ou Adidas, símbolos do “imperialismo”, e mandam a conta para os proletários brasileiros que trabalham e pagam impostos.

A atuação pelega da UNE de hoje envergonha seus heróis do passado. Dominada por parasitas do PCdoB desde os primórdios, a entidade perdeu a força, a voz — e o pudor. Desde 2003, recebeu 42 milhões de reais de dinheiro tomado pelo governo dos proletários brasileiros e entregue aos pequeno-burgueses que fingem estudar. O Tribunal de Contas da União (TCU) resolveu esmiuçar a aplicação desses recursos e deparou com gravíssimos indícios de irregularidades. Despesas injustificáveis, descritas em notas fiscais suspeitas, amontoam-se nas prestações de contas investigadas. Somente em um convescote da UNE de 2008, apelidado de Caravana Estudantil da Saúde, o TCU suspeita que mais de 500.000 reais tenham sido roubados. Essa foi a quantidade de dinheiro que sobrou depois que todas as despesas previstas foram pagas. A UNE devolveu os recursos? Não. Como todo militante adulto da corrupção, a entidade dos jovens mandou avisar que gastou o dinheiro do povo com “assessorias”. “Não tenho conhecimento de irregularidades", diz Daniel Iliescu, presidente da UNE que assumiu há quatro meses. "Se houver e formos notificados pelo TCU, vamos corrigi-las”. Notas fiscais analisadas pelo tribunal mostram que a “revolução pela garrafa” é a nova palavra de ordem da UNE. Sob a fachada de promover Atividades de Cultura e Arte da UNE, em 2007, os pequeno-burgueses da UNE beberam caixas e caixas de cerveja, garrafas de uísque escocês e de vodca. Diz o procurador do TCU Marinus Marsico: “É evidente o descaso da UNE com o patrimônio público. Fico estarrecido de ver tanto dinheiro do povo usado sem obediência aos princípios da moralidade”. Continuem assim, jovens revolucionários da garrafa, um ministério os espera.
 

Revista Caros Amigos Edição 175 - Editorial e sumário

CONSEQUÊNCIAS E INCONSEQUÊNCIAS

Anos seguidos de câmbio favorável à importação e juros estratosféricos afetaram negativamente diversos setores industriais, com a consequente redução da atividade, perda de postos de trabalho e compressão da massa salarial. A indústria perdeu espaço no PIB do Brasil. Tem sido muito mais vantajoso para o capital apostar nos importados e na ciranda fi nanceira do que investir na atividade produtiva nacional.
A reportagem da Caros Amigos mostra como essa política – ainda fundamentada no fracassado Consenso de Washington – tem sido danosa ao País, especialmente para os trabalhadores, além de ser responsável direta pela contínua perda de conhecimento e domínio tecnológico, desemprego estrutural e uma brutal evasão de recursos que poderiam ser revertidos para melhorar as condições de vida do povo brasileiro.

Outra reportagem da revista procura debater como deve ser o combate à corrupção segundo a ótica das forças políticas de esquerda, já que a corrupção é inerente ao sistema capitalista. Caros Amigos ouviu vários intelectuais sobre qual deve ser a postura da esquerda, como combater a corrupção sem cair na visão moralista típica das forças de direita. É evidente que, para quem é de esquerda, combater a corrupção significa, ao mesmo tempo, combater o capitalismo.

Quase 1 milhão de estudantes estão, hoje, matriculados em cursos superiores de Ensino a Distância (EAD), a grande maioria mantidos por instituições privadas que se aproveitaram dessa modalidade de organização escolar para massificar seus tentáculos, atrair jovens de baixa renda e intensificar a “fábrica de diplomas” de curso superior sem fornecer conhecimento de nível superior. A Caros Amigos mostra o que está acontecendo com o EAD. Outra matéria de educação conta como está a campanha nacional em defesa de 10% do PIB.

Duas boas entrevistas marcam a presente edição: uma com o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, sobre a polêmica “internação compulsória”. E outra com o diretor de teatro Antunes Filho, que tem 62 anos de carreira e analisa a situação do teatro brasileiro, hoje. Além disso, contamos com ótimos artigos e análises do corpo de colaboradores da revista. Vale a pena conferir.

>> Sumário:

REPORTAGENS
10 - Como a política econômica provocou a desindustrialização. Por Caio Zinet

18 - O combate à corrupção é o combate ao capitalismo. Por Lúcia Rodrigues

28 - O ensino a distância rebaixa a qualidade da educação. Por Lúcia Rodrigues

32 - A campanha por educação pública exige 10% do PIB. Por Otávio Nagoya

ENTREVISTAS
15 - Com Dartiu Xavier: internação compulsória é isolamento. Por Gabriela Moncau.

34 - Com Antunes Filho: o teatro como formador de consciências. Por Débora Prado

ARTIGOS E COLUNAS
06 - Mc Leonardo comenta a volta dos tiros no Complexo do Alemão.
08 - Sérgio Vaz lança o manifesto da antropologia perférica.
09 - José Arbex Jr.: a “questão palestina” é uma tocha acesa num imenso paiol.
14 - João Pedro Stedile pede a regulação da taxa de juros para conter a exploração.
14 - Frei Betto critica a tentativa de moratória para os desmatadores da Amazônia.
26 - Gilberto Felisberto Vasconcellos faz a defesa da nação latino-americana.
38 - Dennis de Oliveira pesquisa demonstra o racismo das revistas segmentadas.
40 - Mario Augusto Jakobskind mostra as várias faces de Muammar Khadafi.
41 - Aldo Sauda fala sobre as divergências entre a esquerda e os islamitas no Egito.
42 - Gershon Knispel explica a traição do Partido Trabalhista em Israel.
43 - Emir Sader analisa a situação da América Latina diante da crise internacional.

SEÇÕES
05 - Caros Leitores: cartas e comentários pelo Twitter e no Facebook.
06 - Falar Brasileiro - Por Marcos Bagno: língua deformada ou mente deformada.
07 - Paçoca – Por Pedro Alexandre Sanches: fala sobre a coragem de Leci Brandão.
08 - Amigos de Papel – Por Joel Rufi no dos Santos: o choro convulso por Merlino.
22 - Perfil de Amelinha Teles – A persistência na militância política e feminista.
24 - Ensaio Fotográfico de Rafael Vilela: os cabeças-de-pipa de Florianópolis (SC).
43 - Tacape – Por Rodrigo Vianna: Veja e Murdoch fl ertam com o crime .
44 - Ideias de Botequim – Por Renato Pompeu: Marx, Engels e a guerrilha de Porecatu.

CHARGES
04 - Guto Lacaz
45 - Claudius
 

Charge - Maringoni


Programa CHAPA 2- DCE Livre! O tempo não para!!

Eleições DCE-UFOPA, confiram o Programa da Chapa 2 - DCE livre! O tempo não para!!

sábado, 29 de outubro de 2011

A experiência da leitura!

 
“O pior leitor é o passivo, resignado, que aceita tudo e lê o livro como uma receita ou bula para o bem viver. Este é o não-leitor” (Milton Hatoom). [1]

“Nunca se obrigue a ler um livro – é um esforço perdido” (Arthur Koestler) [2]


 
A experiência da leitura é essencialmente individual, sempre única e nova. Parafraseando Rousseau, que afirmava ser a vontade intransferível, ninguém pode sentir as minhas emoções e viver da mesma forma a minha experiência ao ler, por exemplo, A Mãe (Gorki), Pais e Filhos (Ivan Turguéniev), Anna Karenina e A morte de Ivan Ilitch (Tolstoi), Os Demônios (Dostoievski), Germinal (Émile Zola), Eugenia de Grandet e Ilusões perdidas (Balzac), A Revolução dos Bichos e 1984 (George Orwell), O zero e o infinito e Ladrões nas trevas (Arthur Koestler), Zorba, o grego (Níkos Kazantzákis), A leste do Éden (John Steinbeck), Pai patrão (Gavino Ledda), História do cerco de Lisboa, Ensaio sobre a Lucidez, Ensaio sobre a cegueira, A Caverna (José Saramago), Incidente em Antares (Érico Veríssimo), Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis) e tantos outros.

Como expressar o que senti ao ler cada um deles? Qual a influência que tiveram sobre a minha vida? Transformaram o meu ‘olhar’ sobre o mundo, a forma de relacionar-me com a realidade, comigo e com as pessoas próximas e queridas? Contribuíram para a formação política? Influíram na práxis docente? Tornaram-me alguém melhor, mais observador e sensível diante da miserabilidade da condição humana? Penso que sim. Esta, porém, é uma resposta que expressa a minha maneira de conceber a literatura e a relação que tenho com a leitura desde a mais tenra idade – quando lia, à luz do candeeiro, na cidade de Poção (PE), literatura de cordel.

Um dos aspectos essenciais da literatura é que ela nos fala diretamente, sem a necessidade de conceituação e análise interpretativa. Refiro-me à leitura desinteressada, mas que produz emoções, as quais podem nos marcar por toda a vida. Deixemos à teoria e crítica literária e à sociologia da literatura a tarefa de analisar. Este é o campo do leitor especializado, e não do leitor que simplesmente vivencia a experiência da leitura.



É interessante que não recordo das leituras na escola, indicadas por meus professores. A lembrança que tenho não é muito alentadora. Estava no colegial, como dizíamos naquele tempo, e nos foi solicitada a leitura de Dom Casmurro, de Machado de Assis. Era uma tarefa, uma obrigação a cumprir. Foi uma experiência desastrosa e sofrível. Nem recordo se consegui ler até o final. A minha impressão foi péssima e muitos anos se passaram até que, por livre e espontânea vontade, li Memórias póstumas de Brás Cubas. Foi impactante! Suas palavras iniciais tornaram-se parte da minha filosofia de vida, pois elas sintetizam a condição humana e o absurdo das vaidades – tituladas ou não.[3] Um dos melhores livros que li. Tornei-me admirador do autor e li seus contos e outras obras, como O Alienista.[4] Confesso, porém, que não retomei a leitura de Dom Casmurro.

A vida nos ensina muitas coisas – basta disposição para aprender e esforço. Aprendi a melhor selecionar os livros. Os melhores foram os que li pelo prazer de ler. As leituras, porém, nem sempre podem ser feitas com prazer – muito do que leio está vinculado à minha práxis docente; a diferença é que consegui transformar isso num trabalho prazeroso. Contudo, esta não é a regra geral! O paradoxo é que alguns leitores precisam ser “incentivados”. A “obrigação” acadêmica de ler pode dar resultados positivos. Em determinados contextos, a indicação de livros, acompanhada de certo “estímulo” e “convencimento”, aumenta a probabilidade de isso ocorrer. Mas será que contribui para transformar os leitores em indivíduos melhores e cidadãos responsáveis?

[1]
HATOOM, Milton. “Leitores incomuns”. EntreLivros 28, agosto de 2007, p. 44. Versão eletrônica disponível em http://www2.uol.com.br/entrelivros/artigos/leitores_incomuns.html

[2]
KOESTLER, Arthur. O Iogue e o Comissário. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, S. A., 1947, p.60.

[3]
“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”, escreve o autor.

[4]
Até me aventurei a escrever sobre a obra. Ver: O Alienista: Literatura, Ciência e Poder. REA n. 72, maio de 2007. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/072/72ozai.htm

Boletim Especial - 10% do PIB para a Educação, já!‏

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Abertas as inscrições para candidaturas ao Conselho Universitário

Já está disponível o edital referente ao processo de eleição dos representantes dos professores, técnicos administrativos e alunos para o Conselho Universitário (Consun) Pro Tempore. Serão eleitos 3 representantes titulares e 3 suplentes de cada categoria.

As inscrições iniciam-se na próxima segunda-feira, dia 31 de outubro, e encerram-se dia 7 de novembro de 2011. No dia 11 de novembro será publicada a lista dos candidatos; a campanha dos candidatos ocorre de 14 a 26 de novembro, e a votação será nos dias 6 e 7 de dezembro.

Poderão concorrer, nas respectivas categorias, todos os professores e técnicos administrativos nomeados e empossados na UFOPA, exceto os que estejam formalmente afastados para pós-graduação ou de licença por motivo de saúde. Para a representação discente poderão concorrer todos os alunos regularmente matriculados na UFOPA em cursos de graduação ou pós-graduação.

Os interessados em concorrer devem preencher a ficha de inscrição, anexa ao edital, e entregá-la na secretaria do Consun (Campus Tapajós, Prédio da Reitoria), até o dia 7 de novembro. Mais informações no edital.

Júlio César Pedrosa – Comunicação/UFOPA

28/10/2011

QUEM GANHA COM O CAOS NA EDUCAÇÃO?

O Brasil vive uma crise no ensino público. Por todo o país, os educadores lutam pelo investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) Já na Educação. O vídeo abaixo mostra a realidade dos professores, as greves ocorridas este ano e a repressão dos governos, a resistência dos estudantes nas universidades e o combate ao preconceito nas escolas. O vídeo conta também com depoimentos de Amanda Gurgel, professora do Rio Grande do Norte, que convida todos a participar do plebiscito pelos 10% do PIB na educação pública. Confira.





Reintegração de posse, tentativa de criminalização e ameaça de ação policial termina ocupação de Belo Monte

Por Xingu Vivo


Depois de dois dias de debates no seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”, os 700 participantes (indígenas, ribeirinhos, pescadores e apoiadores) resolveram, em assembléia, ocupar o canteiro de obras da usina de Belo Monte localizado no quilômetro 50 da rodovia Transamazônia, entre Altamira e Anapu.

Nesta quinta (27/10), por volta da 3 horas da madrugada, sete ônibus com cerca de 400 participantes do seminário foram até o canteiro. Na noite anterior, circulavam por Altamira boatos sobre mobilizações de forças policiais na rodovia, mas o percurso foi tranqüilo, sem barreiras ou outros obstáculos.

Na chegada ao local, os indígenas imediatamente montaram barreiras na rodovia para interromper o transito na Transamazônica, permitindo apenas a passagem de ambulancias e demais emergências. O restante do grupo se dirigiu ao canteiro de obras. Também ali os três seguranças da empresa não fizeram nenhuma objeção à entrada dos manifestantes, afirmando que foram orientados a permitir não apenas a entrada dos indígenas, mas de quaisquer participantes da ação. Grupos de indígenas fizeram um reconhecimento geral da área do canteiro, não encontrando nem maquinários nem trabalhadores.

Às 10h da manhã, já com filas de automóveis se formando de ambos os lados da barreira, foi realizada uma assembléia na qual o grupo decidiu pela permanência até que o governo sinalizasse com a interrupção definitiva do projeto de Belo Monte. Um documento, em forma de nota, foi enviado à Presidência da República, Secretaria Geral, Casa Civil, Ministério da Justiça e Funai.

Retirada
A ocupação continuou sem maiores percalços até as 16h, quando dois oficiais de justiça, dois advogados na Norte Energia e um do Consórcio Construtor Belo Monte, acompanhados de um contingente da Policia Militar fortemente armado, chegaram com uma ação de interdito proibitório com valor de reintegração de posse.

Embora a decisão da juíza estadual Cristina Collyer Damásio, que ordenou a desocupação do canteiro, fosse direcionada a ‘pessoas indeterminadas presentes no local’, os oficiais de Justiça e advogados da Nesa insistiram para que fosse feita uma apresentação das “lideranças da invasão”. De acordo com o advogado dos movimentos, Marco Apollo Santana Leão, presidente da Sociedade Paranaense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), houve uma clara tentativa de criminalização das lideranças.

“Explicamos que não havia lideranças, que eram vários setores e movimentos e que se a ação não identificava nomes para citação, estes não poderiam ser escolhidos aleatoriamente no local”. Os oficiais de justiça e advogados da Nesa afirmaram que a intenção era citar as lideranças como responsáveis pelo pagamento de R$ 500/dia por cada manifestante que desobedecesse a ordem judicial e abrir processos contra as mesmas por esbulho possessório para cobrança dos supostos prejuízos financeiros causados pelo dia de paralisação das obras.

“É um absurdo, eles queriam que as lideranças se apresentassem como réus. Isso não existe. Uma pessoa não pode se declarar réu. A advogada da Nesa ficava apontando pessoas de Altamira e dizia ‘eu conheço esta e aquela, vamos citar elas [sic], são lideranças que eu conheço’. No final, alegando que houve embaraço na citação de lideranças, o oficial de justiça afirmou que iria citar a mim, o advogado, como líder do movimento de ocupação, o que é ainda mais absurdo”, afirma Leão. Receosos de chegar à concentração dos manifestantes, que estava aguardando o resultado das negociações, os advogados da Nesa ameaçaram citar qualquer participante que estivesse à mão. “Infelizmente quem vai ter que pagar por isso são esses pobres coitados”, disse o advogado. “Você é um covarde!”, retrucou Leão.

Acompanhados dos policiais, oficiais de justiça e advogados foram até a obra fazer a verificação das instalações (alojamentos de trabalhadores) e afixar o interdito na entrada do canteiro. Durante o processo, os advogados da Nesa pressionavam para que os policiais segurassem os manifestantes para apresentação de documentos.

Grande parte dos manifestantes, principalmente os indígenas, se mostrou muito preocupada com a informação dos oficiais de justiça de que a Tropa de Choque estava de prontidão para intervir, à pouca distancia do local da ocupação. Com o cair da noite, aumentava a tensão. Por conta da escuridão e a pressão de caminhoneiros e outros veículos, que começaram a jogar seus faróis sobre o grupo na estrada, os indígenas e demais manifestantes decidiram, de comum acordo, levantar o acampamento, com a proposta de reorganização de ações futuras mais fortes, com outras aldeias e parceiros.

“Hoje falei com meu tio Raoni pelo radio. Ele chorou, disse que queria estar conosco. Mas não conseguiu vir dessa vez. Ele me disse que eu ficasse e fizesse tudo para fortalecer a nossa luta, e disse que da próxima vez ele estará junto, com todos os nossos parentes”, disse Irêo Kayapó, uma das lideranças indígenas.

Diante da intimidação judicial, houve um entendimento por parte de vários grupos presentes de que a permanência no local era complicada. “Estão falando que, se a gente ficar, podemos ser obrigados a pagar uma multa de um dinheiro que nunca vamos ter. Na região, algumas pessoas que tem uma possezinha, um terreninho, uma casinha, já estão tomando tudo deles, as vezes pagando uma merreca. Nós, pescadores, não vamos receber nem isso, nenhuma indenização por nada e nunca vamos poder pagar o que eles querem cobrar de multa. Então decidimos que vamos sair agora, mas que nunca, jamais, vamos parar de lutar contra Belo Monte. Essa foi só a primeira ação, agora estamos nos sentindo muito mais fortes e unidos para essa luta”, afirmou uma das lideranças dos pescadores.

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