Seminário sobre Rio+20 ocorre a portas fechadas na UFOPA‏

Por Eduardo Henrique*

Alguns devem ter ouvido falar de um “dito” seminário que ocorreu na UFOPA no último dia 19, tendo como tema principal o debate sobre a Rio+20. É muito importante que a Universidade se proponha a colocar essa discussão na pauta do dia para muitas pessoas, assim ela cumpre o seu verdadeiro papel de fomentar a discussão sobre temas relevantes à sociedade.
Porém, infelizmente, a Administração Superior da nossa Universidade não compreende dessa forma, pois quem foi ao local da discussão viu que a mesma ocorreu em uma sala, fechada à participação de estudantes e qualquer outra pessoa que não pertencesse à administração superior da instituição, ao contrário do que constava no site da própria UFOPA, que divulgou que o seminário ocorreria no auditório da Universidade, dando a entender que se realizaria aberto ao público - o que mostra, também, o descompromisso com as informações repassadas à sociedade.
Agora, respondendo à dúvida que a UFOPA deveria ter se encarregado de responder: O que é a Rio+20?

É um evento que irá reunir governantes de todo o mundo com o objetivo de discutir políticas sobre meio ambiente, de forma semelhante à ECO 92, que muitos devem conhecer. De tempos em tempos os governos se reúnem para discutir sobre o meio ambiente, contudo, com o tempo, as reuniões têm ocorrido com maior freqüência, tendo em vista o agravamento da crise ambiental que vivemos, onde catástrofes ambientais se tornam cada vez mais rotineiras nos noticiários mundiais. Para esse encontro, está na agenda de discussão mecanismos que acabem por inserir mais claramente a floresta e outros recursos naturais na lógica de mercado.

O que é essencial para esse debate é termos em mente que hoje o mundo tem boa parte de suas florestas devastadas graças à mercantilização dos recursos naturais, associada às várias empresas que degradam sem pena alguma o meio ambiente. Portanto, colocar o meio ambiente mais ainda no mercado acaba sendo um erro absurdo que só contribuirá com a crise climática e ambiental que vivemos.

O seminário teve como objetivo levar propostas das instituições da Amazônia para a construção do encontro que ocorrerá no Rio de Janeiro, no período de 15 a 30 de junho, aproximadamente. Mas uma pergunta fica no ar: por que desconsiderar, então, a opinião da sociedade santarena acerca do assunto? Por que desconsiderar a opinião de instituições e entidades que vêm construindo um debate qualificado acerca do assunto? Isso primeiramente se mostra como medo da Universidade em dialogar com a sua própria base, ou seja, a Administração mostra a completa falta de interesse em debater com estudantes, professores e funcionários, ou sequer fomentar o debate sobre algo que nos afetará diretamente, pois as decisões tomadas na Rio+20 implicarão em mudanças adotadas pelo governo brasileiro acerca do meio ambiente.

Atitudes como essa da nossa Universidade são comuns, mostrando o completo desinteresse por parte da Administração em discutir assuntos pertinentes com estudantes e ou qualquer outro setor da sociedade santarena, pois faço aqui uma pergunta: quantos lembram de algum espaço criado pela administração para dialogar com os estudantes ou com os cidadãos, esclarecer dúvidas, nos últimos seis meses? Quantos aqui sequer sabem como é o rosto do nosso reitor? Quantos aqui sabem sobre as contas da Universidade, que até hoje nunca foi prestada devidamente? Muitas perguntas surgem, hoje, a respeito da UFOPA, mas a administração se esconde em salas, nos seus debates fechados e se recusa a dar as caras e dialogar.

Mas apesar de tudo, saibam que continuamos firmes no Movimento Estudantil lutando com os movimentos sociais para que a Universidade seja democrática, que seminários ocorram abertos ao público, sem medo de discutir e construir algo novo, de forma a conscientizar a população acerca de vários assuntos que hoje permanecem obscuros.
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* Eduardo Henrique é coordenador geral do DCE-UFOPA e militante do Juntos! Juventude em luta
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