Revista O comuneiro, n.15


O número 15 de O Comuneiro abre com o texto de Tom Thomas, que lê o estrangulamento do processo de valorização do capital a que assistimos, com toda a limpidez da crítica marxista, colocando depois a alternativa histórica que temos perante nós, em toda a sua brutal simplicidade. Philip Ferguson, desde os antípodas neozelandeses, interroga-se sobre a promessa falhada de uma sociedade de lazer, antevista por Keynes em 1930, mas que o capitalismo foi incapaz de cumprir, dela se afastando agora mesmo cada vez mais.

Ainda que longe do Eliseu, naturalmente, o socialismo está de volta em França, como projeto político concreto e alternativa social em debate. Jacques Généreux é um dos seus pensadores mais destacados e também ele está de volta a ‘O Comuneiro’, com a introdução ao seu último livro, onde o leitor encontrará muita matéria a suscitar reflexão empenhada, corpo a corpo. Outro regresso de peso às nossas páginas é o de Bernard Stiegler. Herdeiro de uma linhagem ilustre de pensamento social crítico gaulês, com um gosto artesanal refinado pela criação de novos conceitos, Stiegler é um grande escritor e um perscrutador muito agudo das entranhas mais íntimas do nosso tempo.

Uma entrevista breve com o filipino Walden Bello lembra que a multifacetada crise atual é também uma crise alimentar, ainda que não sentida da mesma maneira em todos os pratos, naturalmente. Damien Millet e Éric Toussaint, conhecidos ativistas do Comité pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), expõem o que deverá ser, para o movimento social, o programa de saída desta crise na Europa. Ainda que não haja força, neste momento, para impor nem uma mínima fração deste rol de medidas, trata-se de um importante exercício inteletual e político, que nunca deve ser perdido de vista. O mesmo vale para o projeto de Declaração Universal do Bem Comum da Humanidade, iniciativa do Forum Mundial das Alternativas para ser presente ao Forum Social Mundial de 2013 a realizar na Tunísia.

A crítica da economia política de inspiração marxista está bem viva no Brasil, o que nos permite apresentar duas excelentes análises da atual crise mundial do capitalismo, por Marcelo Dias Carcanholo e Alfredo Saad Filho. Ivonaldo Leite guia-nos com mão segura e dialeticamemte inspirada pelas teorias do desenvolvimento da América Latina, em seu próprio desenvolvimento sócio-histórico. Valério Arcary, explorador das esquinas perigosas da história, relembra que, longe de ser um artifício retórico, a regressão à barbárie de que nos falava Rosa Luxemburgo, é uma hipótese real, com contornos aliás já bem palpáveis. A crise é uma encruzilhada de várias hipóteses de futuro, mas só um sujeito revolucionário consciente poderá protagonizar a mudança num sentido próximo da esperança.
Comentários
0 Comentários

Imprimir ou salvar em pdf

Leia Também