Música - Bruno B.O. - EP Floresta de Concreto






Artista - Bruno B.O.
Cidade/ Estado - Belém (PA)
Participações especiais - Dubalizer, Gaby Amarantos, Pjó (VN), Ralph MC e Dime (Cronistas da Rua)
EP
Número de faixas - 7
Gênero/ estilo - hip hop / rap/ ragga/ rock
Data de lançamento - 20.11.13

O EP foi gravado ao longo de dois anos, entre Belém e São Paulo, As letras falam de amor, compreensão, respeito, justiça e evolução espiritual. Uma das faixas, "Sempre pelo Certo", aparece em duas versões, uma delas remixada pelo produtor paulista Dubalizer. 

Onde ouvir e baixar - http://mcbrunobo.tnb.art.br

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No mesmo dia do lançamento do EP, o professor de História Tony Leão publicou em seu Facebook pessoal o seguinte texto sobre Floresta de Concreto: 

"Meu papo sobre o som de Mc Bruno B O! Já éh!

A diáspora africana desenhou um mundo novo! E em boa parte esse mundo se manifesta pelas formas musicais, por síncopes, células rítmicas que por si só se impuseram como estética inconformada com os padrões europeizantes estabelecidos pelo colonizador. Esse som é uma outra fala, por vezes um grito, uma fala pós-colonial, anticolonial, subterrânea, às vezes claramente rebelde e contestadora. É a presença africana que se manifesta nas “formas culturais estereofônicas, bilíngues ou bifocais originadas pelos (...) negros dispersos nas estruturas de sentimento, produção, comunicação e memória”, fruto da diáspora negra no atlântico, como afirma Paul Gilroy em “O atlântico negro”.

Muitos gêneros musicais trazem essa marca, do jazz ao carimbó, do maracatu ao soul, do ijexá ao blues, do merengue ao samba, da embolada ao hip hop em suas várias facetas... 

A resistência é tanto sonora como verbal, é fala, é rima, é andamento impactante que demonstra a presença negra e a presença periférica, não de maneira subserviente e mendicante, mas sim de forma impositiva e exigente, por meio da presença de quilombos musicais territorializados na paisagem sonora das periferias das cidades de nuestra América!

Assim é o trabalho do MC Bruno BO: periférico, marginal, um grito da cidade profunda, da cidade(nia) da Belém profunda, das baixadas e favelas, da Belém que não recebeu as “benesses” dos modernizadores modernizantes colonizados belepoquianos. BO fala de lá de onde o povo negro e afro-ameríndio mantém-se firme, manifestando-se na cultura de periferia da qual o rap é um dos símbolos mais marcantes.

MC BO revela essa experiência periférica, não só pela música em sentido restrito (que tem o rap como carro-chefe, assim como passeia pelo rock e reggae), mas também pelo ativismo no hip hop e pela prática de educação junto a menores em condições de marginalidade e exclusão. Sua fala, sua rima, seu ritmo, seu sotaque, sua levada, é a fala da favela, de dentro da favela, e de quem pensa a favela, pois é experiência da favela, daquele território negro e afro-ameríndio (em se tratando de Amazônia) encravado de presença e resistência popular!

20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, dia de co-memorar, rememorar, a luta dos povos negros exilados no Brasil e na América. Não poderia ser uma data melhor para o lançamento do EP Floresta de Concretodo MC Bruno BO! Hoje é essa levada que vai embalar a luta negra em Belém!

Tudo pelo certo família! Boa luta/som MC BO!

Deixo aqui meu asè e fé nessa kizomba!

Tony Leão. "

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