Gênero e Atuação Legislativa: Conceitos fundamentais.

Conceito de gênero.

Há mais de 60 anos, a filósofa e feminista francesa Simone de Beauvoir afirmou: “Não se nasce, torna-se mulher”.

Até hoje muita gente se pergunta: o que ela quis dizer com isso?

A referida autora chamou a atenção da sociedade de que ser homem ou mulher não é um fato natural, mas um processo de aprendizagem (construção cultural), em que se ensina a criança, desde muito pequena, o que é se comportar de acordo com o que tem sido definido como “feminino” e “masculino”.[1]

Gênero é diferente de sexo.

Gênero é um conceito bastante útil para explicar os porquês dos comportamentos diferenciados de mulheres e homens em uma sociedade e ajuda ainda a compreender grande parte dos problemas e dificuldades que ambos vivenciam em função dessas diferenças.

Para entender gênero, em primeiro lugar, é preciso diferenciá-lo de sexo. Isso porque quando se fala em sexo, se está tratando dos aspectos físicos (biológicos) dos machos e fêmeas. Significa falar das diferenças que estão nos corpos e que mudam pouco a pouco, de acordo com as fases da vida (infância, adolescência, maturidade, velhice).

Já quando se fala em gênero, trata-se de um conjunto de ideias sobre o que é ser uma mulher e o que é ser um homem, dentro de padrões que definem o que deve ser considerado feminino e masculino.

Cada sociedade vai construir, portanto, suas representações de gênero. Em outras palavras: produz um modelo de pensamento sobre como devem ser as relações e os comportamentos de cada um dos sexos, dentro de um modo padronizado e transmitido através das gerações pela cultura de cada lugar.[2]

Gênero é produto da cultura.

Se a forma de os membros de uma sociedade pensar é produto direto da cultura, é fundamental buscar uma definição de cultura que vá além dos dicionários. De forma simplificada, cultura é a capacidade que os seres humanos têm de compartilhar significados sobre as ações e o mundo que os cerca, através das gerações.

Cultura implica em padrões de comportamento acumulados (e também contestados) por grupos de indivíduos em diferentes épocas e lugares. Cada grupo de seres humanos atribui significados distintos a fatos da vida aparentemente semelhantes.

Nessa direção, a cultura ultrapassa o sentido de construção simbólica (ideias), sendo considerada como um conjunto de medidas que modela e direciona a conduta humana. O que implica dizer que os seres humanos agem de acordo com os ensinamentos que recebem desde a primeira infância. Nada é natural: a forma de se alimentar, de se vestir, de se expressar, ou seja, de viver, é, todo o tempo, definida pela cultura que foi ensinada como mais adequada.

A cultura transforma a diferença em desigualdade.

Ser mulher e ser homem decorre, portanto, de uma construção cultural e nunca será o simples produto de características dadas pela biologia e que limitam a um padrão único de comportamento de ser homem ou ser mulher em todas as sociedades. Significa dizer que a cultura obedece a questões históricas mais amplas, atendendo, assim, a interesses étnicos, econômicos, políticos e sociais que determinam o comportamento construído para cada sexo. Não é exagero, portanto, afirmar que, ainda hoje, não se tem conhecimento de sociedades onde mulheres e homens tenham o mesmo status social e onde as mulheres, de modo geral, não sofram algum tipo de discriminação fundamentada ou justificada por seu sexo.[3]

Embora atualmente não exista apenas a ocorrência de modelos estereotipados de educação para todas as crianças, pois a socialização delas têm se transformado pela ocorrência de mudanças mais amplas da sociedade e no lugar ocupado pelas mulheres, a educação diferenciada de meninas e meninos continua reproduzindo modelos padronizados de comportamentos socialmente desejáveis para cada sexo.

Assim, a compreensão das relações de gênero vai mostrar que, historicamente, os modelos de feminilidade e masculinidade dominantes vêm aprisionando a todos – mulheres e homens. Vale lembrar que o processo de “modelagem de gênero”, iniciado na infância, visa assegurar que os corpos de homens e mulheres sejam orientados para ter um comportamento “adequado” à identidade sexual que possuem e, simultaneamente, direcionados para uma orientação sexual heterossexual, resultando em uma constante pressão da sociedade nessa direção: uma imposição social que não respeita o direito à diversidade sexual – heteronormatividade.

Nesse contexto, é perceptível que embora tenham gozado de mais privilégios na contabilização das relações de poder entre os sexos, os homens também vivenciam desigualdades de gênero, pois são educados para se encaixarem em um modelo rígido, na expectativa de que sejam, entre outros fatores, os únicos ou principais responsáveis pelo sustento e chefia familiar, forçados a assumir um modelo de masculinidade dominante, que não lhes permite mostrar fragilidade, nem mesmo demonstrar afetividade ou sensibilidade.[4]

Gênero: para pensar e transformar as relações de poder.

O conceito de gênero é produto das lutas e conquistas teóricas e políticas do feminismo e é um dos grandes avanços na compreensão das formas como se mantêm as relações de poder em uma sociedade. A discussão sobre gênero busca ainda a construção de uma sociedade mais igualitária, humana e plural, pois vai permitir uma visão mais crítica a respeito do comportamento dos seres humanos.

É possível dizer que gênero significa o esforço de mostrar uma forma de compreender como as relações de poder entre as pessoas são produzidas e perpetuadas por meio de processos variados, pois ao se assistir a uma aula, a um filme ou ouvir uma estória, ocorre uma aprendizagem acerca de como os membros de uma sociedade pensam e organizam as formas de homens e mulheres viverem e se situarem no mundo.

Uma estudiosa dessa área, Joan Scott (1988), lembra que falar em gênero possibilita a compreensão acerca de como os sujeitos sociais se constituem cotidianamente por um conjunto de significados impregnados de símbolos culturais, normas e leis, instituições e identidades de gênero/subjetividades sexuadas.

Quatro Pilares que sustentam o “edifício” de gênero.

Para se manter na sociedade, as relações de gênero precisam ser alimentadas e renovadas cotidianamente. Para compreender como essa estrutura se constrói e se renova, existem quatro pilares que, juntos, sustentam o “edifício” do gênero.

- SÍMBOLOS – disponíveis para as pessoas de forma frequentemente contraditórias. Pensa-se em gênero sempre a partir de imagens opostas – Maria e Eva, pureza e sujeira, claro e escuro etc. – e há sempre uma hierarquia entre ambas, em que um dos elementos é mais positivo e poderoso, portanto, superior.

- CONCEITOS NORMATIVOS – interpretações cotidianas do mundo a partir de normas (doutrinas, leis, discursos científicos, preceitos religiosos etc.) que têm seu significado previamente definido e que direciona a forma de se pensar e agir sobre o mundo.

- INSTITUIÇÕES – instâncias/organizações sociais que garantem a manutenção das doutrinas religiosas, educativas, científicas, políticas, jurídicas etc. As mais importantes são a família, o Estado e a Igreja.

- IDENTIDADE SUBJETIVA – forma que homens e mulheres sentem e exercitam suas subjetividades, seu jeito de ser construído a partir da formação de conceitos/preconceitos, através de imagens e símbolos que têm a sua relevância definida no contexto social e histórico das vivências.

Essas quatro dimensões interagem mutuamente entre si e cada uma dessas dimensões produz formas materiais e simbólicas de manutenção e de transformação das relações de gênero.

Alguns desdobramentos do uso do conceito de gênero.

Deve-se cuidar, ao se discutir as relações de gênero, para não cair na armadilha das fórmulas simplificadoras como se mulheres e homens não apresentassem pontos em comum nas suas experiências e pensamentos ou como se entre mulheres e mulheres e entre homens e homens não existissem também divergências.

É importante lembrar que ninguém é só “mulher” ou só “homem”, mas todos têm combinações que vão produzir identidades diferenciadas entre as pessoas para além da dimensão de gênero, como, por exemplo: “mulheres negras", “homens jovens”, "mulheres lésbicas”, “trabalhadores rurais" etc.

Refletir sobre gênero leva a uma releitura de toda a sociedade, o que significa repensar a cultura e a linguagem, os meios de comunicação, a família, o sistema educacional etc.

Essa perspectiva de análise funciona como uma lente que possibilita enxergar uma série de aspectos que a sociedade vem perpetuando de relações desiguais de poder.

Esse sentido parte do referencial básico de que, por conta dessas desigualdades, mulheres e homens são levados a viver e pensar o mundo a partir de diferentes "lugares", tendo, dessa forma, necessidades diferenciadas.

O desafio, portanto, é a busca da compreensão dos vários espaços/instituições e relações nas quais o gênero se constrói e de que forma essas relações podem ser transformadas para construção de novas relações de gênero entre pessoas de diferentes sexos, idades, classes, raça/etnia e orientação sexual.

Interseccionalidade e seus diferentes eixos de poder.

O gênero é uma das formas mais importantes de compreensão das relações de poder em nossa sociedade. Por outro lado, as interações humanas são marcadas por outras relações igualmente relevantes tais como classe, raça, etnia, orientação sexual ou idade/geração.

Um exemplo que ajuda a entender esse raciocínio é pensar que uma mulher branca e idosa de classe média vive a discriminação de gênero (isto é, o fato de ser mulher numa sociedade sexista) de uma maneira diferente de uma mulher negra e jovem de classe popular, pois gênero é profundamente modificado quando é “atravessado” pela dimensão de geração ou de classe (significa que o sexismo é agravado pelo racismo e pela desigualdade de classe).

Isso porque se vive a experiência de gênero combinada com a classe ou idade, por exemplo, pois a classe ou a idade “atravessam” e transformam as relações de gênero, e assim se dão as intersecções que aproximam ou diferenciam as experiências dos sujeitos sociais.

Essas diferenças produzem marcas que constituem os seres humanos e que definem seus lugares no mundo: identidade sexual inscrita no corpo, idade, classe social, nacionalidade, orientação sexual, etc..

Existe um elemento mais importante que outro? Na teoria ou na prática, pode-se dizer que o contexto social aponta qual (ou quais) tem maior ou menor peso.

Para o mercado de trabalho, por exemplo, gênero é um fator muito importante e leva homens a ganharem mais que mulheres, mas adicionado ao gênero o fator “cor/raça” constata-se que homens negros ganham menos que mulheres brancas. Portanto, raça tem o poder de mudar a forma como as relações de gênero e classe são vividas.

Situações concretas materializam essa reflexão e ajudam a entender melhor a riqueza e complexidade dessas intersecções e explicitam que se trata de diferenças, oposições, conflitos e hierarquias provisórias, pois se referem a processos que na dinâmica da vida social podem se movimentar em várias direções, ganhando ou perdendo sua importância estratégica nas diversas situações sociais de indivíduos e grupos (BRITTO DA MOTTA, 1999), podendo ser novamente transformadas, num movimento incessante, sempre produzindo variadas e infinitas combinações.

Interseccionalidade: gênero e classe.

Nas sociedades capitalistas, a organização das relações de produção e de consumo tem sido o “motor” principal do funcionamento de toda a estrutura, de seu desenvolvimento e também da manutenção das desigualdades.

Classe permite entender que a vida de cada um é marcada por uma relação concreta com o mundo da produção (patrão, operário, executivo, etc.) e simultaneamente, define uma forma de ver o mundo – o que tem sido chamada de “consciência de classe”. (SAFFIOTI, 1992).

É possível dizer que as variadas vinculações de classe vão impor às pessoas diferentes projetos de vida e também diferentes possibilidades de realizá-los. É esta vinculação a uma determinada classe social que vai fazer com que alguns sintam como natural ou razoável práticas ou aspirações que outros sentem como impensáveis ou escandalosas, e inversamente (BOURDIEU, 1994).

Os valores, os projetos de vida e de investimento em escolarização, nossos gostos de consumo e uma série de outras aspirações são a materialização de um “jeito de ser” que é explicado em grande parte pelo pertencimento de classe, mas, muitas vezes, interpretado como se fosse algo determinado exclusivamente pela personalidade ou pela história familiar.[5]

Interseccionalidade: gênero e raça/etnia.

Por conta da persistência do racismo, raça/etnia permanece como uma dimensão fundamental para entender a profunda interação entre desigualdades raciais, econômico-sociais e as relacionadas a gênero. As mulheres negras há décadas vêm denunciando que há uma multiplicidade de mulheres e que algumas vão estar em situação de forte desvantagem em relação a outras (HOOKS, 2004).

Não existe uma experiência comum de opressão que possa ser vivenciada e refletida da mesma forma por todas as mulheres, independentemente de tempo, região, raça ou de classe social – assim, uma mulher negra trabalhadora não é triplamente oprimida ou mais oprimida que uma mulher branca na mesma classe social, mas experimenta a opressão a partir de um lugar que proporciona um ponto de vista diferente sobre o que é ser mulher numa sociedade desigual, racista e sexista (BAIRROS, 1995).

A grande contribuição dessa reflexão é que ela evidencia que, a depender da combinação de diferentes sistemas de opressão, as experiências dos sujeitos são transformadas. Então, a experiência de ser negro ou negra passa a se modificar “através” do gênero e a experiência de ser homem ou mulher passa a ser vivida “através” da raça ou ainda da classe, da orientação sexual ou idade/geração.

Interseccionalidade: gênero e idade/geração.

Destaca-se, ainda, a categoria geração, que por sua vez, é uma dimensão fundamental para compreender a forma como a sociedade se organiza e define diferentes lugares para os indivíduos e grupos, atribuindo-lhes maior ou menor prestígio social a depender das diferentes “fases da vida” em que se encontrem. Assim, para além de uma classificação cronológica, o tempo é vivido de uma forma social, pois há um significado mais profundo em ser criança, jovem, adulto ou velho. Cada um desses grupos se constitui como “categorias” ou “grupos de idade” aos quais é permitido ou negado o direito de desejar, expressar ou realizar determinada ação social.

Apesar de extremamente relevante, preconceito etário é uma questão pouco discutida na sociedade. A ideia de que “todos envelhecem igualmente” traz embutida uma leitura que ignora não apenas o quanto a vida é marcada pela geração, mas que ela acaba sendo combinada com outros marcadores sociais como classe, raça/etnia ou gênero. Assim, as mulheres idosas negras e pobres estão muito mais propensas a sofrerem preconceito etário quando comparadas aos homens adultos brancos e de classe média, por exemplo.[6]

Interseccionalidade: gênero e orientação sexual.

Gênero é um conceito bastante útil para explicar os porquês dos comportamentos diferenciados de mulheres e homens em uma sociedade e ajuda ainda a compreender grande parte dos problemas e dificuldades que ambos vivenciam em função dessas diferenças.

É fundamental destacar a relevância da orientação sexual na reprodução de preconceitos e oportunidades. A maioria das pessoas, constituída dentro de um modelo de desejo heterossexual dominante, certamente não se dá conta dos impactos dessa questão entre indivíduos que não participam desse grupo dominante. Não é uma tarefa simples compreender como se constitui o desejo dos sujeitos e muitas pessoas já podem ter se perguntado: por que tal pessoa é homossexual? Teria nascido com essa “inclinação”? Seria genético?

A interação dos estudos de gênero com os estudos da sexualidade permite chegar à compreensão de que a forma com que a construção das identidades de gênero se estabelece pela imposição de modelos padronizados de feminilidade e masculinidade, em processos de educação de sucessivas gerações, incorporando práticas e pensamentos que valorizam a heterossexualidade como o único modelo de sexualidade desejável e aceito, tem garantido a prevalência de heterossexuais, mas tem criminalizado outros comportamentos sexuais considerados como desviantes.

A orientação sexual é, pois, um dos elementos cruciais na definição dos lugares sociais dos sujeitos, pois existe uma imposição social de que haja um alinhamento entre sexo-gênero-sexualidade. Isto significa dizer que todos esperam que, se uma pessoa é fêmea, deve ser uma mulher feminina e heterossexual. Inversamente para os homens – de quem se cobra muito fortemente a reprodução do padrão de masculinidade heterossexual.

Em muitos casos, chega-se a recusar, no caso da homossexualidade, aos homens o direito à masculinidade e às mulheres o direito à feminilidade, pois se são comportamentos sexualmente esperados pela sociedade (heterossexualidade) é porque teriam, por não serem esperados, um “gênero defeituoso”, não se constituindo em “homem e mulheres de verdade” (LOURO, 1997; 2009).

Assim, há um investimento incessante para que essa combinação do sexo biológico “harmonizado” com o desejo sexual seja assegurada para todas as pessoas. Esse investimento da sociedade é marcado pela homofobia e reafirmado cotidianamente de forma consistente (e também invisível), exatamente porque é empreendido de forma continuada e constante (muitas vezes, sutil) pelas mais diversas instâncias sociais.[7]

Interseccionalidade e sua importância.

O conceito de interseccionalidade permite compreender como se dá a interação dinâmica de múltiplas discriminações. Trata-se de um esforço de teorização que mostra as consequências concretas e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação como, por exemplo, gênero, raça ou classe. Explicita a forma pela qual a combinação de racismo, patriarcalismo, opressão de classe e outros sistemas discriminatórios – como o heterossexismo – cria desigualdades básicas que definem as posições não apenas diferenciadas, mas principalmente desiguais entre mulheres e homens, grupos étnico-raciais, gerações, classes e outras (CRENSHAW, 2002).

Assim, a compreensão da noção de interseccionalidade mostra como as relações sociais se estruturam e circulam em eixos de poder que existem e funcionam separadamente, mas que, frequentemente, se cruzam e se interpenetram, criando interseções complexas nas quais dois, três ou quatro eixos se atravessam/entrecruzam. Para dar concretude a essa lógica, pode-se imaginar a combinação de eixos de poder (classe, gênero, raça, etc.) como avenidas (grandes e largas ruas) que se cruzam e cujo volume e velocidade do tráfego (de carros, motocicletas, etc.) seriam a forma chave de compreender a ocorrência de uma maior (ou menor) chance de alguém ser discriminado, explorado ou oprimido. Assim, quanto maior for o tráfego na “avenida”, quanto mais fatores de discriminação existirem, mais chance de ser “atropelado” ou “atropelada” pelo fluxo das múltiplas opressões ediscriminações (CRENSHAW, 2002).

A discussão de interseccionalidade pode ser considerada como sinal de grande avanço teórico e político, tendo em vista a possibilidade que ela abre para a adoção de perspectivas de análise que acompanham a complexidade da realidade. O uso dessa ferramenta vem permitindo a identificação de diferentes relações de dominação que estruturam o contexto sócio-histórico enquanto um sistema que interconecta as opressões de raça, geração, classe, sexualidade e gênero, e, nessa perspectiva, focaliza, prioritariamente, as formas como elas se entrelaçam (HILL COLLINS, 2000).

Hoje já há praticamente um consenso entre diferentes segmentos sociais (pesquisa, governo, sociedade civil etc.) em torno da extrema relevância da adoção de perspectivas de análise interseccionais – em especial porque elas ajudam a compreender como se estrutura a vida de diferentes grupos populacionais e, consequentemente, possibilita a organizaçãode múltiplas estratégias de intervenção que possam transformar a situação de vida dessas populações atingidas, como, por exemplo, através de mudanças da legislação ou ainda via a proposição de políticas públicas.

REFERÊNCIAS

BAIRROS, Luiza. Nossos Feminismos Revisitados. Revista Estudos Feministas, Vol. 3, No.2, 1995, p. 458-463.

BOURDIEU, Pierre. Esboço de uma teoria da prática. In: ORTIZ, Renato.

Pierre Bourdieu

. São Paulo: Ática, 1994, p. 46-81. (Coleção Grandes Cientistas Sociais)

BRITTO DA MOTTA, Alda. As dimensões de gênero e classe social na análise do envelhecimento.

Cadernos Pagu

, Unicamp, Campinas, n. 13, p. 191-221, 1999. (Dossiê Gênero e Gerações)

CRENSHAW, KIMBERLÉ. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero,

Estudos Feministas 1

, 2002, p.171-189.

HILL COLLINS, Patricia.Black feminist thought: knowledge, consciousness and the politics of empowerment. 2nd ed. New York: Routledge, 2000.

HOOKS, Bell. Mujeres negras. Dar forma a la teoría feminista. Otras inapropiables: Feminismos desde las fronteras (obra colectiva). Madrid: Traficantes de sueños, 2004, p. 33-50.

LOURO, Guacira Lopes. A emergência do gênero. In: ______. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997, p. 14-36.

______. Heteronormatividade e homofobia. In; JUNQUEIRA, Rogério (org.). Diversidade sexual na educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília: Ministério da Educação/SECAD; UNESCO, 2009. p. 85-93. Disponível em: http://www.ded.ufla.br/generoesexualidade-ei/imagens/homofobia _na_escola.pdf

SAFFIOTI, Heleieth B. Rearticulando gênero e classe social. In: COSTA, Albertina; BRUSCHINNI, Cristina (Org.). Uma Questão de Gênero. São Paulo: Editora Rosa dos Tempos/ Fundação Carlos Chagas, 1992, p.183-215.

SCOTT, Joan Wallach. “Gênero: Uma Categoria Útil para a Análise Histórica.” Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 16, n. 2, jul-dez.,1990, p. 5-22.

[1] Curiosidades: Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir (Paris, 9/1/1908 — Paris, 14/4/1986), escritora, filósofa existencialista e feminista francesa, escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia. Essa frase pertence ao livro da autora O segundo sexo, publicado na França em 1949 e depois traduzido para mais de 30 idiomas. Trata-se de uma das mais importantes obras já produzidas sobre a chamada “questão da mulher”. Saiba Mais: Ao longo da história, as mulheres vêm se organizando em torno de demandas específicas que surgem da divisão sexual do trabalho e das atividades e responsabilidades diferenciadas atribuídas aos sexos masculino e feminino, como, por exemplo, lutas por creches, custo de vida e melhorias nos bairros, além da conquista de direitos, antes concedidos apenas aos homens. Divisão sexual do trabalho se refere à separação entre atividades masculinas e femininas e a consequente desvalorização das atividades ditas femininas. 

[2] Saiba Mais: Clique aqui para assistir ao vídeo “A Invenção da Infância”, da diretora Liliana Sulzbach. Compare as realidades dessas diferentes crianças com as ideias que o texto propõe. 

[3] Curiosidades: Estudos sobre as diferenças entre as culturas têm constatado que muitas atividades atribuídas às mulheres em uma cultura, em outra podem ser atribuídas aos homens – como foi exemplo encontrado, nos anos 1930, pela antropóloga Margaret Mead (1979), na Nova Guiné: uma tribo na qual a mulher era considerada “o parceiro dirigente, dominador e impessoal, e o homem a pessoa menos responsável e emocionalmente dependente”. 

Fica evidente, segundo essa pesquisa, que não mais se sustenta a ideia de que os comportamentos de gênero esperados para homens e mulheres sejam uma manifestação natural. Margaret Mead (1979), em suas pesquisas no campo da Antropologia Cultural, mostrou que não há uma relação direta entre o sexo biológico e o comportamento social de mulheres e homens. Seu livro “Sexo e temperamento”, publicado em 1935, foi pioneiro por colocar em evidência os enganos do determinismo biológico, ao mesmo tempo em que mostrou a importância da cultura na padronização dos comportamentos/temperamentos nas sociedades por ela estudadas, ensinando meninos e meninas a agirem conforme as regras de cada sociedade. 

[4] Saiba Mais: Heteronormatividade é o termo utilizado para expressar que existe uma norma social que está relacionada ao comportamento heterossexual como padrão, na ideia de que apenas o padrão de conduta heterossexual é válido socialmente e, com isso, põe, muitas vezes, em desvantagem os sujeitos que possuem uma orientação sexual diferente da heterossexual. 

[5] Curiosidades: Conheça a publicação “Retrato das desigualdades de gênero e raça.” IPEA, SPM e SEPPIR. 4ª ed. Brasília, 2011. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/retrato/ 

[6] Assista ao documentário “A invenção da infância”, da diretora Liliana Sulzbach e reflita o que é ser criança no mundo contemporâneo. 

[7] Saiba Mais: Orientação sexual se refere à forma como as pessoas se sentem em relação à afetividade e sexualidade. Fala-se de orientação, e não de opção, porque não é algo que se possa mudar de acordo com o desejo do sujeito. Há várias possibilidades de vivência da nossa orientação afetivo-sexual, mas, as mais divulgadas são: bissexual (atração pelos dois sexos); heterossexual (atração pelo sexo oposto); homossexual (atração pelo mesmo sexo).
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